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26/2/2014

22:50

TCHIVINGUIRO + 1 “CAUSO”... TRANSPORTES... A CARAMELA. by Antero Sete


TCHIVINGUIRO + 1 “CAUSO”... TRANSPORTES... A CARAMELA.

Em continuidade às homenagens e saudades dos nossos meios de transporte, de outras épocas, mas não do tempo do Kaparandanda, hoje, é a vez de uma camioneta muito querida que fez parte das nossas vidas, ansiedades e “causos” a...CARAMELA!
Vou insistir e manter esse apelido carinhoso “CARAMELA” e não “CARAVELA”, por razões simples e humanas muito próximas do pieguismo saudoso.
Quando cheguei ao Tchivinguiro, a maioria dos colegas que já lá estavam, quando se referiam à camioneta, o faziam com uma certa ternura, muito parecidas com a ternura que se dispensa a uma namorada querida e ausente... CARAMELA... A palavra em si, já induzia a um travo doce e prazeroso, já que o apelido “CARAVELA”, usado pelos menos íntimos e insensíveis, nos remetia a uma outra dimensão, a aventura.
Considerando ambas as designações, para que quem lê escolha a que mais se coaduna com o seu intimo, o certo é que a “CARAMELA” era a espinha dorsal do nosso universo, era ela que trazia para a nossa cozinha e outros departamentos, os gêneros necessários para a nossa sobrevivência, desde os sacos de farinha de trigo para a elaboração do “pão nosso de cada dia”, o vinho servido diariamente, em copos, numa única refeição, as rações, tão necessárias, para o bom trato dos rebanhos, adubos que enriqueciam as terras e favoreciam as colheitas, tambores de gasolina, gasóleo e petróleo e as ferramentas usadas nas benfeitorias que mantinham activos e em boas condições de uso o nosso patrimônio!
Em contra partida, para nós alunos, era a alma gêmea, que nos transportava e aos nossos sonhos e anseios, transpunha distâncias empoeiradas, esburacadas e enlameadas até Sá da Bandeira e no regresso à Escola, sobre o madeirame da sua carroceria, às vezes carregava as frustações ou alegrias de amores correspondidos ou frustados!
Ilustrando o quadro, imaginem que naquela época para irmos a Sá da Bandeira, era exigência dos regulamentos internos, trajar fato e gravata ou então vestir a farda de passeio, aquela de calção de montaria, ao estilo inglês, botas de montar justas na canela até ao joelho, faixa vermelha na cintura, camisa branca de colarinho e gravata preta e jaqueta para valorizar o visual, tudo, exceto as botas, faixa, camisa e gravata, confeccionado com a mais pura ganga! Tão bonita que era e tão admirada pelo universo feminino, que de tão cara de comprar a maioria dos nossos Pais, inclusive os meus, pura e simplesmente a eliminava do rol.
E lá íamos nós, uns 10 ou 12, empoleirados na carga, na carroceria, de fato e gravata, agarrados sabe-se lá aonde e amparados pela mão de Deus, abrigados pelo encerado quando chovia e gritando a plenos pulmões, cuspindo poeira, "Sr. Morais, por favor ponha o pé no acelerador"!
Eram tempos despreocupados e tão felizes como os de hoje, só que as normas de segurança, os recursos incongruentes, ou não, e a felicidade se mediam por outros padrões, mais simples, humanos e sem objectivos ocultos...
E assim chegamos à vez do D. Sebastião, o Desejado, muitas vezes visualizado por entre as brumas dos nossos anseios e materializado com a chegada daquele, que mais tarde passou a ficar conhecido como TITANIC!
Aquele abraço!
1 Comentários.

Posted by Tchivinguiro WebServices:

Carlos Loureiro
Foi isso, sim.
Abraço.

Milu Vasconcelos
E como eram charmosos os meus colegas quando trajavam a rigor,apesar do rigor do tempo,que os enlameava ou empoeirava.Não perdiam mesmo assim «aquele quê» que ao tempo, os tornavam únicos.

João Seia
felizmente sou do tempo de andar na "caramela",no "titanic" e no novo autocarro ( que eu saiba não tinha alcunha!)
23/2 às 18:17 · Gosto

Milu Vasconcelos Á distancia de 40 anos não tenho qualquer dúvida em afirmá-lo.


Antero Gonçalves
Grande Milu Vasconcelos, isso já não é mais um grande coração de colega, elogiando os colegas, é um infinito coração de mãe, em tamanho, bajulando os filhos! Te admiro muito, minha amiga e colega! Aquele abraço.

Antero Gonçalves
Olá João Seia, pelo que escreves passaste muitos anos no Tchivinguiro, chegamos a ser contemporâneos e se fomos em que ano?

João Seia
sou o numero 247.entrei em 63(?) (cuidado com o PDI) e saí em 69 para a tropa!!!!!
24/2 às 11:50 · Gosto

Hernani Torrinha Caramela sim e depois o Dom Sebastião cujo 1º condutor foi o vilares

Antero Gonçalves
Boa tarde, João Seia!
Fomos mesmo contemporâneos, no período de Novembro/64 a final do ano lectivo Julho/66!
Desculpa mas não consegui me lembrar de você e julgo que o inverso também é válido!...Ver mais

João Seia
de todos e de ti também.mas naquela altura devias ter mais uns anitos,que naquelas idades,já diziam alguma coisa!!!!!!!!!!!,por isso não te lembras de mim.
26/2/2014 @ 22:59

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