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19/9/2014

17:06

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...HONRA AO MÉRITO DE UM COLEGA! by Antero Sete

  

 JOÃO EDUARDO DOS SANTOS MORAIS, "ESQUILO" 

 
 

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...HONRA AO MÉRITO DE UM COLEGA!

Não sei se caberá dentro desta página de "causos" mas nunca é demais prestar uma homenagem a um amigo e colega que,recentemente, na cidade do Recife,Pernambuco, Brasil, foi distinguido com um prémio que honra a todos nós cuja preparação para a vida passou pelos bancos do Tchivinguiro.
Muitas têm sido as distinções e homenagens atribuídas a colegas nossos, algumas amplamente divulgadas, outras nem tanto e que, por isso, se perdem no anonimato da modéstia e da memória.
O "causo" que vou contar, ou melhor a homenagem que pretendo fazer a este nosso colega e amigo de longa data, que em 1975, tal como a maioria de todos nós se viu obrigado a abandonar a cidade onde vivia com a sua família, esposa e duas adoráveis e pequeninas filhas, Malange, Angola, rumo a Nova Lisboa, onde abrigados no aeroporto daquela cidade durante o período de espera se integrou ao grupo de ajuda que colaborava no embarque das famílias que aguardavam a sua evacuação, com destino a Portugal.
Com este colega tive o prazer de conviver, primeiro em Luanda e mais tarde, por ironia do destino tornamo-nos colegas de trabalho na mesma empresa e em serviço percorremos milhares de quilómetros visitando e dando assistência aos agricultores desde o Lucala à Baixa do Cassange, no distrito do Cuanza Norte, sempre com o mesmo espírito de companheirismo e amizade que nos acompanha até hoje.
Nessas confusões e incertezas, após o 25 de Abril de 1974 nos perdemos um do outro até que, casualmente nos reencontrarmos em 1976, em Ribeirão Preto, Brasil e a partir daí sempre nos mantivemos em contacto, apesar das mudanças constantes de endereços e cidades a que a nossa profissão e as contingências da vida nos impunham.
Por várias circunstâncias, insucessos e desenganos (os cabelos brancos não são só oriundos da saudade e da idade mas, principalmente,dos desgostos e desenganos da vida, assim, mais ou menos reza um fado), o nosso amigo e colega teve a necessidade, por razões fundamentais de sobrevivência, de trocar a atividade de Eng. Técnico Agrário, profissão que havia escolhido ao ingressar no Tchivinguiro e abraçar aos quase 70 anos de idade, uma outra profissão, até então desconhecida para ele, a de Corretor e Avaliador de Imóveis. 
Atualmente o nosso colega é um bem sucedido micro empresário no ramo e, com tanto afinco e dedicação se empenhou nessa sua nova profissão que, surpreendam-se, no passado dia 27 de Agosto, Dia Nacional do Corretor de Imóveis foi agraciado pela Direção do sindicato da atividade,o SINDIMÓVEIS/PE, CRECI, 7 REGIÃO E SECOVI, com o troféu COLIBRI, ao fim de uns quatro anos de atividade, com a distinção de CORRETOR DE IMÓVEIS REVELAÇÃO DE 2014.
De quem falo? 
Do nosso colega e amigo JOÃO EDUARDO DOS SANTOS MORAIS, "ESQUILO" para os íntimos...não é à toa que eu digo que após o 25 de Abril de 1974, algo de bom sobrou para a maioria de nós, graças a muitos atributos, entre eles a competência, persistência, honestidade e conhecimento!
Parabéns,amigo, companheiro e colega!
Aquele abraço!

P.S. Outros colegas e amigos nossos mereceriam também um "causo" e um deles até, talvez um dia um livro, contando a sua história de vida, quem sabe talvez um dia, aconteça essa oportunidade!

 

 

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19/8/2014

19:14

EXCURSÃO DE ALUNOS DO TCHIVINGUIRO A PORTUGAL, FOI HÁ 50 ANOS! by Júlio Rodrigues

 

EXCURSÃO DE ALUNOS DO TCHIVINGUIRO A PORTUGAL, FOI HÁ 50 ANOS!

Foi há 50 anos! A primeira (e talvez única) visita de estudo ao exterior de Angola de alunos da Escola de Regentes Agrícolas “Dr. Francisco Machado” no Tchivinguiro.
Estávamos em 1964 mas desde uns anos antes falava-se numa excursão para fora do território mas cuja concretização se adiava… Até que, nesse ano, para grande satisfação e surpresa nossa se tornou realidade.
O grupo foi formado não só por finalistas, pois alguns na ocasião já estariam impedidos por motivos pessoais vários como tropa, estágio, etc., mas completaram-no pré-finalistas (4º ano). Tomámos um avião Friendship da DTA no Lubango para Luanda onde pernoitámos. e demandámos Lisboa no dia imediato em avião a jato fretado pela TAP.
Tenho quase escrita uma extensa crónica, o que não cabe aqui neste local, do que foi essa inesquecível, para nós, visita a Portugal, ao pormenor, programa oficial, episódios pitorescos, diversão extra programa, etc., pelo q fica aqui apenas um relato menor.
Foi assim que eu e muitos deixámos pela primeira vez o continente africano e pisámos Portugal. Compunham a excursão como professor o Dr. Manuel Fernandes e sua esposa, e dez (se não erro) alunos: A. Pires Dias; António Russo; C. Serra Santos; Eduardo Baeta; Fernando Lima; J. Geraldes de Matos; Júlio Rodrigues; M. Branco de Castro; N. Costa Santos; Rodolfo Veiga. Era pois uma mini excursão. Em Portugal foram designados como acompanhantes dois professores locais.
Para o evento foi imprimida uma interessante brochura, que conservo ainda hoje.
Consta desse programa que a visita se iniciou em Lisboa no dia 25 de julho e terminou a 12 de agosto de 1964, durando pois 19 dias nos quais percorrermos Portugal a partir da grande Lisboa para o Baixo Alentejo, Algarve, Alto Alentejo, Ribatejo, Beira Litoral, Minho e grande Porto. Antes houve a apresentação de cumprimentos a dois governantes, CMLisboa,  e a outra entidade. Naquelas regiões visitámos institutos, universidade, caves, adegas, silos, obras de rega, barragens, estações agronómica e agrárias, coudelaria, colonato, perímetros florestais, jardim botânico, parques, herdade, as (três) escolas de regentes agrícolas e as (três) práticas de agricultura nas quais fomos ficando alojados ao longo da excursão. Percorremos também locais turísticos, monumentos, templos, santuário de Fátima, complementando-se a excursão com um programa social oferecido de fados, almoços ou jantares especiais, feira popular, etc. Para além disso tivemos dias e noites livres em que por nossa conta nos divertimos nas cidades por onde passávamos. 
O dia 12 de agosto consta como dia livre em Lisboa e partida para Angola após a meia noite. Mas tal não aconteceu! Pois foi concedido aos excursionistas um período suplementar de permanência em Portugal de cerca de semana e meia em que cada um o aproveitou como quis, tendo sido garantido alojamento numa residência universitária em Lisboa. Foi uma excursão memorável, deslumbrante.
E assim nesse já adiantado agosto de 1964 regressámos enriquecidos à nossa querida Angola novamente pela TAP até Luanda para depois voltarmos ao Lubango num voo da DTA. A memória da excursão seria depois durante muito tempo partilhada em conversas deliciosas com familiares, amigos e colegas.

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18/8/2014

17:29

Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro

Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro (bilhete postal, 1950) in Loureiro, J., Memórias de Angola, ed. do Autor, 2000, p.140
 
 
 

Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro

Humpata, Huíla, Angola

Equipamentos e infraestruturas

A Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro, do arquiteto Vasco Regaleira, é uma instituição de referência no país (à qual se associam a Igreja do Tchivinguiro e a Missão, ambas de 1892). Embora tenha sido criada em 1938, com o nome de Escola Agro‐Pecuária da Huíla (inicialmente designada Escola Agro‐Pecuária Dr. Francisco Vieira Machado), a primeira pedra do edifício só é lançada em 1942, e apenas em 1957 passa a Escola de Regentes Agrícolas. Em junho de 1980 passa a ser denominada Complexo Escolar Agrário do Tchivinguiro e posteriormente, até à atualidade, Instituto de Ciências Agrárias e Veterinárias.

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10/6/2014

19:36

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... O DIA DO REGENTE... E O PRETENSO CUNHADO... by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... O DIA DO REGENTE... E O PRETENSO
CUNHADO...
Lembrando o dia 10 do mês de Junho do saudoso ano de 1966, meu ultimo ano como aluno no Tchivinguiro, um grupo de uns 15 colegas a maioria finalistas, resolveu festejar, com muita raça e Angolanidade, o Dia do Regente Agrícola, em Sá da Bandeira, com uma tradicional "Moamba", servida por encomenda, num restaurante ou bar que ficava entre o centro da cidade e o bairro da Lage, umas três ou quatro ruas paralelas e para baixo da antiga Rua Major Camisão (obrigado Voni por me teres lembrado do nome da rua onde moravas) que até não era muito frequentado por nós mas que foi o único que se propôs, segundo os colegas encarregados da organização do almoço, a preparar a "Moamba".
Entre os participantes estava um colega, que não descia para a cidade há mais de um mês e que entrara em desespero ao ver quase perdidas as dispensas de oito exames finais por causa das escapadas frequentes à cidade para marcar presença junto da namorada, que morava para aqueles lados perto da Roda, restaurante com pretensões boémias, pertencente ao nosso amigo Jacinto (não confundir com a Royal, que também era do Jacinto).
Continuando o "causo" e segundo ainda esse colega que tinha o hábito antigo de outros anos, de se isolar no Tchivinguiro, no ultimo mês de cada período, para recuperação das notas perdidas, esquecendo e suspendendo as escapadelas para Sá da Bandeira, as visitas às namoradas, antigas e à actual, facto que muito desagradou a titular da época, ao ponto de ter imposto um "ultimatum" ao dito cujo colega:" só vais ao almoço, se levares o meu irmão, senão acaba o nosso namoro , já!"
Perante tão ditatorial e feminina determinação, não teve o nosso colega outro remédio, para não perder o almoço e a namorada, senão levar o candidato a cunhado ao almoço de homenagem aos Regentes Agrícolas e, assim, lá seguiram para o restaurante, o nosso colega e o candidato a cunhado a tiracolo, um rapazote dos seus 15 ou 16 anos magrote e espinhento, prenuncio do início da puberdade, mas muito bem vestido, nos trinques, era hábito da família, o pai e o rapazote só calçavam peúgas brancas e naquele dia o rapazinho vestia um casaco branco, esporte, acabadinho de sair do manequim do Figurino da Huila, camisa também branca e calça castanho tabaco, com mocassins castanhos,a combinar, e as já referidas peúgas brancas! Detive-me no figurino porque duas das peças são fundamentais para o desenrolar e compreensão do "causo" e não porque eu entenda de moda!
Chegados ao restaurante e apresentado o candidato a cunhado, logo uns três colegas resolveram adotar e cuidar do referido, integrando-o no conjunto com um brinde saudado com um copázio de Sanguinhal...ao som de um "vira, ó vira"...e deu-se início à comilança e ao "viranço" também!
O almoço prosseguiu entre discursos e copázios, garfadas de "Moamba", gritos de praxe, por tudo e por nada e o moço que estava aos cuidados dos tais colegas, perante tantos extremismos, aos quais não estava habituado, desabou em cima do prato com a cara enfiada numa mistura repugnante de vómito amarelado, laivos rosáceos de vinho e restos de "Moamba"! Bem, antes que vocês me xinguem por descrição tão nojenta, vou pular esta parte e começar a contar a nossa preocupação em dar um aspecto apresentável e limpo ao infeliz do coitado, que nesta altura, já só era uma nódoa amarelada de tanto vómito em cima dele mesmo, que nem as peúgas brancas escaparam!
Como ele não estava totalmente desacordado, só enjoado, alguém sugeriu que talvez fosse bom lavar o casaco e a camisa, num tanque existente no quintal nos fundos do restaurante! Sugestão aceite, lá foi um grupo lavar o casaco e a camisa esfregando-os com sabão de coco, em barra, na pedra do tanque batalhando para limpar as manchas existentes e proporcionar um aspecto mais saudável e decente ao vestuário já descrito . Após lavados, camisa e casaco, foram postos para secar, pendurados num arame, presos por molas... e a festa continuou, para nós outros, já que o candidato a cunhado mergulhou num sono profundo e reparador, debruçado sobre a mesa, semi despido!
Lá pelo final da tarde, fomos retirar do arame a camisa e o casaco, quase secos ao que a esposa do dono do restaurante, gentilmente, nos emprestou um ferro de passar e uma tábua para darmos um aspecto mais apresentável às peças e vesti-las no rapazinho, já mais firme nas canelas e se aguentando de pé! 
Só que o visual era deplorável, o casaco continuava manchado e, pior, tinha encolhido formando pregas onduladas na lapela, na gola e nas ombreiras, mal servindo no rapazinho, ficando a cintura no peito ou vice-versa o peito na cintura, e o encardido amarelado da camisa aparecendo por entre as lapelas da gola...mas, mesmo assim, lá conseguimos vestir a camisa e o casaco no coitado, apesar dos seus protestos e da firme determinação do nosso colega: "eu te fui buscar vestido e vou-te devolver...vestido!" e descemos todos em grupo, aquela avenida do Liceu, a pé, já principio da noite, atravessando a praça onde ficava o Palácio do Governo, descendo em direção ao "Picadeiro" lotado de amigos, amigas, colegas e simples desconhecidos, dando explicações a quem as pedia e queria, sobre o visual daquele que tinha sido nosso convidado, por imposição e intransigência feminina.
Mas o mais difícil estava para vir, quem e como iriam entregar a "encomenda" no seu domicílio, enfrentar a namorada, a mãe e, quiçá, o pai dele?
"Ó meu amigo, a namorada é tua, o sogro é teu, portanto o problema também é teu"... e após uma breve conferência largamos o nosso colega e o candidato a cunhado na porta do prédio onde ele morava, mas ainda a tempo de escutar a namorada do colega, chamando: "Mãezinha, vem cá abaixo ver o que eles fizeram com..." e os impropérios se foram perdendo na distância das nossas passadas apressadas, nos afastando do lugar, a caminho de outra farra!
Como terminou este "causo"? Simples, o namoro do nosso colega acabou e ele nunca nos disse o que tinha escutado da namorada e da pretendente a sogra, mas nem tudo foi perdido, o nosso colega conseguiu dispensar de todos os exames! Assim o prejuízo não foi total! O que aconteceu com a namorada? Anos mais tarde casou com outro colega nosso... e o irmão? Deve estar bem, nunca mais o vimos...saudades para todos e ... aquele abraço com a nossa homenagem a todos os Regentes Agrícolas, hoje Engenheiros Técnicos Agrários, pelo nosso dia, 10 de Junho de todos os anos passados e vindouros, da Raça e do Camões! 
Ao Alto, Ao Alto ! Charrua!
E quem somos nós? Regentes educados muito quietos e calados...ai somos?

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07/6/2014

12:53

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... OS MARRECOS DE PEQUIM...QUE NÃO ERAM DA CHINA! by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... OS MARRECOS DE PEQUIM...QUE NÃO ERAM DA CHINA!

Este "causo" começa a ser contado daquela maneira tradicional como começam todas as estórinhas bem comportadas ouvidas na nossa infância...
Era uma vez... seis patinhos Marrecos de Pequim, branquinhos de fazer inveja aquelas roupas lavadas com aquele sabão em pó que lava mais branco... os seis patinhos vieram da África do Sul, entraram em Angola pela fronteira do deserto, passaram pelo Caracul, Capangombe, Bruco, subiram a serra da Chela até ao Tchivinguiro e ficaram por ali, curtindo a vida, nos arredores da vacaria aos cuidados do Jaime, sob a proteção do Dr. Pablo "Batuta" e durante o dia, felizes, se banhavam nas águas cristalinas e fresquinhas da vala que ficava perto da vacaria, o sol resplandecendo no ouro brilhante dos seus bicos amarelos, até que numa noite sinistra de sexta feira, que talvez nem fosse sexta feira 13, cinco figuras, ainda mais sinistras e aterrorizantes do que a escuridão da própria noite, escondidas nas trevas se abeiraram da inocência de três velhos guardas mumuilas que pacíficamente pitavam os seus rústicos cachimbos, ao relento, em volta de uma fogueira aquecendo os próprios ossos e espantando com as suas labaredas os maus espíritos noturnos, quando uma figura sinistra, baixinha e cabeçuda saída das trevas se foi aproximando envolto na musica de uma gaita, que nós chamávamos de beiços, e que ela, a figura sinistra, tocava com meneios de menestrel, sentou-se entre os velhos guardas tagarelando uma língua arcaica e desconhecida de gente civilizada, mas que só eles entendiam!
Enquanto isso, as outras quatro figuras sinistras, entraram na vacaria e arrebanharam, para dentro de um saco, dois dos seis inocentes e alvos Marrecos de Pequim, que dormiam tranquilamente aquecidos pelo bafo da Mimosa e das outras vaquinhas suas amigas...
Contam as más línguas o triste fim dos Marrequinhos de Pequim, lá para os lados do lago ou, talvez da cascata seca, que depois de depenados terminaram num ensosso e duro churrasco, sem terem tido o direito e a oportunidade de emitirem, sequer, um simples quá, quá, quá...de protesto ou despedida!
Mas o "causo" não terminou por aqui porque galgou outras dimensões além vacaria! Uma ordem poderosa foi decretada pelo Dr. "Batuta": "todas as autorizações para sair da Escola e passar o fim de semana em Sá da Bandeira estão suspensas, até que o restante dos <<pilha marrecos>>, porque um eu já sei quem é, se apresentem e assumam a responsabilidade do seu acto ignóbil de... marrequicidio!"
E assim ficamos nós, reféns na antiga sala de estudos, depois das aulas, no final da manhã de sábado, antes e depois do almoço, com o pai e a irmã do nosso colega Aníbal esperando pela revogação da ordem no lado de fora do edifício, que há época servia de Internato, refeitório e sala de aulas, divididos em dois grupos o que apoiava o tocador da gaita, que nós chamávamos de beiços, que de jeito nenhum queria denunciar os comparsas, exigência do "Batuta" para liberar geral as licenças e o outro grupo que estimulava a denuncia...e o tempo foi passando até que os demais integrantes da quadrilha chegaram ao bom senso de "que não era justo os outros pagarem pelo que nós fizemos" e apresentaram-se assumindo a responsabilidade do acto ignóbil de... marrequicidio.
Como terminou? Simples! O Aníbal, que não tinha nada a ver com o "causo" dos marrecos, foi com o pai e a irmã para Sá da Bandeira, levando de boleia o Completo e o Morais e Castro, os outros que também iam para Sá da Bandeira desenrascaram-se do jeito de sempre, quanto aos "sinistros" do nosso "causo" ficaram se entendendo com o "Batuta" e segundo o tocador da gaita, que nós chamávamos de beiços, os marrecos até que não saíram caros, apenas 150 escudos cada um, porque, segundo ele eram falsificados, não eram genuínos de Pequim, da China, mas sim da África do Sul...
Quem eram eles? O Hernani Torrinha o tocador da gaita, que nós chamávamos de beiços, já se denunciou num comentário feito na página do amigo e colega Rui Torrinha, ao contrário de antigamente ele também já foi entregando o Paulos, que hoje é Doutor, o Colaço que curte a aposentadoria em Arapiraca, Alagoas, Brasil e o nosso saudoso amigo e colega de turma Viseu Fernandes...que vergonha Hernâni, quem diria que ao fim de tantos anos tu te tornarias num... dedo duro, mais duro do que o teu churrasco de marrecos!
Aquele abraço!


P.S. Conseguimos, com exclusividade Google, a foto das duas inocentes vitimas, ainda em vida e a foto do que as figuras malignas pretendiam fazer com os Marrequinhos. Só que faltou competência porque eles próprios reclamaram da qualidade do churrasco!

 
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07/6/2014

12:42

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO" ... A VIAGEM INESQUECÍVEL! (2) VAMOS A VER SE OS AMIGOS E COLEGAS AQUI CITADOS AINDA SE VÃO LEMBRAR DESTE "CAUSO". by Antero Sete

"Aos meus amigos quero agradecer o retorno e os comentários sobre este "causo" no qual eu próprio não "botei muita fé", por achá-lo pouco interessante! Mas é isso aí, vocês me surpreenderam!
Aquele abraço, do Sete!"

Continuando a narração do "causo", lá fomos nós portando e tomados daquela ansiedade receosa, a caminho da Robert & Hudson, preparados para o pior...
Chegados, cheios de cerimónias como se fossemos ver o Papa, fomos saudados pelo gerente com um "tá pronto!" enquanto se dirigia para o interior da oficina e nos mostrava o "Fusquinha", brilhando, porque até lhe tinham dado um banho! (Ai Jesus, pensei eu, vamos ter que deixar o "Fusquinha" e voltar a pé!)...
Ó! Que bom! Muito obrigado! E nós com aquele sorrisinho amarelo, a modos de quem está com dor de barriga, agora a parte mais dolorosa... quanto devemos? Minutos, talvez nem minutos mas segundos de angustia perante a cara gozadora do gerente que se abriu num sorriso e disse..."nada! Boa viagem!" O quê? Não podia ser, afinal vocês trocaram as peças com defeito, até o pneu foi substituído... ainda lavaram o carro...não dá para entender, o que é isso? (E eu rezando para que fosse mesmo isso!) Pois que era isso mesmo, respondeu o gerente, se vocês quiserem deixem um "matabicho" para os mecânicos que cuidaram do carro...e boa viagem! E foi o que fizemos antes que ele, gerente,se arrependesse, depois de muitos agradecimentos e promessas de amizade e reconhecimento eternos, que não sei se alguma vez foram cumpridas, lá nos pusemos a caminho devidamente saudados pelo "Ao Alto, Ao Alto! Charrua" e pelos PH! 6,6,6! berrados pelos nossos colegas que nos acenavam desejando melhor sorte para o final da viagem!
Assim, por volta das 15 horas estávamos saindo de Nova Lisboa com destino a Luanda, numa bela pista asfaltada, carro revisado, dinheirinho no bolso, logo logo passando por Chitatamera, (até hoje não sei de onde tiraram esse nome), o que não impediu que por associação sonora soltássemos a voz num caprichado... "Guantanamera/Guajira, one Guantanamera/One Guantanamera/Guajira, one Guantanamera/ Yo soy un hombre sincero/Guantanamera...) canção e música que estava muito em voga na época e que nos embalou em muitos bailaricos. Rápidamente passamos por Hunguéria (outro nome que não sei de onde veio), Alto Hama a caminho da Cela, onde pretendíamos parar para abastecer e comer alguma coisa no posto da Sacor e foi o que fizemos, calculando que por volta da meia-noite estaríamos já em Luanda!
Nada como um carro rodando seguro e vistoriado de borla pela Robert & Hudson, uma boa estrada com belas paisagens para apreciar e rápidamente deixamos a Quibala e o seu forte lá no alto da pedra á nossa direita mas que infelizmente não íamos poder visitar porque estávamos ansiosos para chegar a Luanda!
Deixamos o Lussusso para trás a caminho do Dondo mas, naquela descida que antecedia a reta que dava acesso ao Dondo a luzinha vermelha do painel acendeu avisando de que alguma coisa não estava em ordem no motor, enquanto que o ponteiro que indicava a temperatura galgava célere para o seu ponto máximo, não restando outra alternativa a não ser encostar na beira da estrada e ir verificar o que estava acontecendo, maldizendo como não lembramos de incluir uma lanterna na caixa das ferramentas, que também não existia, mas apesar da escuridão conseguimos ver que desta vez tinha sido a correia da ventoinha do motor que dera o berro, ressequida e quebrada! O que fazer? Só nos restava esperar para que alguém passasse e parasse para nos socorrer, o que não tardou muito e logo no lado oposto da pista encostou um camião, seguido de mais dois ou três, cujos motoristas se juntaram a nós, em reunião, lamentando não poder ajudar, já que as correias que eles tinham eram muito grandes e não serviam para o nosso carro, apesar que um deles, cheio de boa vontade, ia trançando uma trança com duas cordas para substituir a correia e assim nós poderíamos chegar até ao Dondo, artimanha essa que apesar da boa vontade não deu certo. Enquanto isso, mais e mais camiões iam parando à beira da estrada e aquele bom espirito comum de solidariedade dos camionistas ia-se revelando através da ajuda e das frases de animo que nos eram dirigidas, todos querendo ajudar mas ninguém resolvendo nada, não por falta de vontade mas pelas circunstâncias do momento, até que um deles sugeriu o que parecia ser o mais óbvio: "olhem estou indo para Luanda, um de vocês pega uma boleia comigo até ao Dondo, deixo-o ficar no posto, onde ele pode comprar uma correia e pega uma boleia de volta com algum companheiro que venha para estes lados!" Parecia ser o mais lógico até que um automóvel ligeiro parou mais na frente e dele saiu um sujeito que para nosso espanto foi logo dizendo:"Selminha! O que você está fazendo aqui?" Era um amigo da família do Rui Flora, que após se inteirar do que estava acontecendo logo se prontificou a continuar viagem, levando a Selma para casa, malandro, e sem pensar em nos ajudar! Deixa esses malucos aqui, ao que a Selma e o Flora se opuseram dizendo que iam continuar connosco, até que o referido senhor, após muita conversa, aceitou levar a Selma e o Flora até ao Dondo, ajudá-los a procurarem uma correia e trazê-los de volta e à correia também, para que pudéssemos colocá-la no lugar com a ajuda dos camionistas, já que sem caixa de ferramentas e sem as ditas cujas, apenas tínhamos os ferros desmonta e o macaco, não seria possível desaparafusar a polia e colocar a correia. E foi o que foi feito enquanto eu, o Fausto e os camionistas esperávamos e papeávamos junto do "Fusca" (até descobri que entre eles estava um amigo do meu saudoso padrinho o jornalista Albuquerque Cardoso e como prova sacou da carteira o cartão de visitas que o meu padrinho lhe havia dado).
Lógico que a nossa previsão de chegada a Luanda já era, porque o relógio marcava 23 horas e 30 minutos e nós de papo com os camionistas, sentados no asfalto da beira da estrada, esperando a Selma e o Flora que chegaram quase à meia noite, depois de terem saboreado uns cacussos na varanda do hotel, à beira Cuanza e para nós não trouxeram nem as espinhas!
Colocada a correia, operação meio complicada e com muitos e variados palpites, dados por todos porque tínhamos de acertar a posição e a ordem de colocação das anilhas que esticavam a correia, agradecemos e nos despedimos com muitos apertos de mão e abraços dos nossos mais recentes amigos e continuamos viagem, escoltados até ao Dondo pelo amigo dos Floras e daí para a frente depois de um aceno o sujeito pôs o pé na tábua e nunca mais o vimos!
E nós seguimos na escuridão da noite, passando por Zenza do Itombe, Calomboloca, nem paramos para comprar as docinhas laranjas e os saborosos maboques das quitandeiras que já não estavam mais à beira da estrada, dormindo o sono justo de quem não tinha TV para assistir e nem luz elétrica para prolongar o dia, Catete, dizem que aqui nasceu o Agostinho Neto, Viana, onde anos mais tarde o meu amigo Carvalho ex-Ecomar instalou uma fábrica de sapatos femininos e por fim Luanda, quando no dia seguinte, isto é, no mesmo dia, no fim da tarde entreguei o "Fusquinha" para o "Esgoia" e essa foi a ultima vez que me despedi e abracei o meu amigo e nosso colega que uma bala traiçoeira o levou deste mundo, durante uma emboscada!
O que nos ficou desta viagem foi a solidariedade, a vontade de ajudar que recebemos de pessoas que nem conhecíamos e que em troca não esperavam nada de nós a não ser um sorriso e um abraço agradecido por tantas gentilezas recebidas, um espirito bem português e típico de quem vivia em Angola, independente de raça, religião e posição social, transpondo as "Portas do Tchivinguiro" e abrindo corações para o resto de Angola!
Outros detalhes que eu não lembrei poderão ser fornecidos pelos nossos colegas Fausto Costa, que mora em Portugal e pelo Rui Flora e a sua irmã Selma, algures, talvez em Angola.
Aquele abraço!

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07/6/2014

12:32

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO" ... A VIAGEM INESQUECÍVEL! (1) VAMOS A VER SE OS AMIGOS E COLEGAS AQUI CITADOS AINDA SE VÃO LEMBRAR DESTE "CAUSO". by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO" ... A VIAGEM INESQUECÍVEL! (1)

VAMOS A VER SE OS AMIGOS E COLEGAS AQUI CITADOS AINDA SE VÃO LEMBRAR DESTE "CAUSO".

Nas férias de Natal em Luanda, final do ano de 1965, encontrei-me com o saudoso amigo e colega Eliezer, para nós, Helezer Teixeira da Fonseca para outros, também conhecido por "Esgoia" graças a uns litros de chorume derramado pródigamente na sua cabeça, ainda na condição de bicho! 
Nesse encontro, pedia-me o "Esgoia" que nas próximas férias de Março, em vez de eu voltar para casa de avião lhe fizesse o favor de trazer para Luanda o seu carro, um "Fusquinha" ou "Carocha" como lhe queiram chamar, que ele deixara em Sá da Bandeira à guarda de um amigo seu, quando foi chamado para ir servir o exército em outras bandas!
Tudo combinado e aceite da minha parte o pedido, voltando ao Tchivinguiro, aguardei ansiosamente pelo começo das férias na expectativa da realização de tão encantadora viagem, pensando em quem eu iria chamar para compartilhar essa aventura, já que seria conveniente ter companhia e partilhar despesas.
Logo de caras dois colegas se ofereceram para me acompanhar, o Fausto Costa que dividia comigo e com o "Velhote" Ferreira a "suite" no piso térreo, do lado direito de quem entrava no edifício do Internato e o outro colega o Rui Flora que foi logo perguntando se podia levar a sua irmã Selma, nessa viagem, ao que eu e o Fausto de bom gosto concordamos.
E os meses de Janeiro e Fevereiro de 1966, foram passando e nós, entre estudos, provas, peripécias, bailaricos, recomendações escritas do Eliezer sobre os cuidados a ter com o carro durante a viagem, partidas que agora se chamam de "apanhados" ou "pegadinhas" que íamos pregando aos colegas e a alguns professores desprevenidos e outras malandragens já esquecidas, lá íamos enfrentando o passar dos dias até ao inicio da tão aguardada viagem.
Uns dois dias antes, fomos a Sá da Bandeira fazer uma avaliação das condições da viatura, que segundo o "fiel depositário" da mesma, estava tudo em ordem com excepção dos pneus, por isso seria prudente viajarmos nas horas mais frescas do inicio da manhã e no final da tarde e à noite, de preferência, se a isso estivéssemos dispostos.
E foi assim, numa linda manhã, até madrugamos, deveriam ser umas sete horas, nos pusemos a caminho dispostos a enfrentar os mais de 1.100 Km que nos separavam da bela capital de Angola.
E lá fomos, rodando felizes, cantando e rindo, por uma estrada de asfalto que a poucos quilómetros depois de Sá da Bandeira deu lugar à estrada de chão que ainda estava a ser preparada para receber o asfalto. Alguns quilómetros rodados nessa estrada e tivemos o primeiro furo, encarado por nós com otimismo, pois estávamos prevenidos com várias caixas de remendos, daqueles que era preciso tocar fogo e pressionar com uma mini prensa para que ele colasse na câmara.
Desmontar o pneu também era canja, já estávamos sem o pneu de socorro, mas estávamos prevenidos com macaco e ferros "desmonta". Feito o reparo, colocada a roda no lugar lá retomamos a viagem alegres e descontraídos até que em menos de 100 metros rodados novo furo e assim se sucedeu nos próximos 35 Km, furo atrás de furo, até ao Hoque, onde paramos para saber de um borracheiro que nos pudesse socorrer com um outro pneu ou câmara de ar em melhores condições, já que nos 35 Km rodados contabilizamos a triste soma de 18 furos (juro, me lembro até hoje)! Não tinha, mas ganhamos de presente uma outra câmara, que apesar de ser de um tamanho maior do que o pneu que usávamos estava em melhores condições do que aquela que nós tínhamos e que de câmara já não tinha nada, de tantos remendos colados!
E lá seguimos viagem, passando pelo Hoque a caminho de Cacula onde nos afiançaram iriamos encontrar pneu e câmara, em segunda mão, mas em melhores condições de uso do que os nossos. Chegados a Cacula fomos direcionados para uma casa comercial, daquelas que existiam em Angola, que vendiam de tudo, menos a alma do dono, se não fosse bem conversado! Se lá não achássemos o que queríamos, não iriamos achar em mais lado nenhum, a não ser em Nova Lisboa... e não achamos! 
Mas nós tínhamos um trunfo na manga e que trunfo...a bela Selma, com os seus lindos olhos e cabelos negros que despertou o instinto paternal do "tiozinho",dono da loja, que também tinha uma filha daquela idade estudando em Sá das Bandeira no colégio das madres, e que ele não deixaria de jeito nenhum enfrentar uma viagem daquelas com três malucos e uma moça a tiracolo, ao que a Selma entrando na conversa e declinado o nome da filha pelo "tiozinho", que sim eram colegas e amigas e que ela também estudava nas madres, o que não era mentira nenhuma o facto de estudar nas madres, só que nem tinha noção de quem era a dita cuja moça!
Quebrado o gelo e a desconfiança do senhorzinho, ganhamos um pneu, que ele já tinha aposentado de uso, da sua Peugeot e que apesar de ser de tamanho maior e estar em melhor estado do que o nosso, foi colocado no eixo traseiro do lado esquerdo do "Fusca" e após as despedidas e recusado o almoço pela necessidade que tínhamos de continuar viagem (o nosso anfitrião estava aguardando a filha que chegaria na carreira), nos despedimos agradecidos, deixando ficar muitos beijinhos da Selma para a sua colega e amiga...que infelizmente não dava para esperar por ela e lá fomos com o "Fusquinha" rodando e puxando a traseira para a esquerda, isto é, visto de frente, meio de viés!
E continuamos nós, até Caluquembe e já com estrada asfaltada, passamos por Caconda e Cuima até chegar a Nova Lisboa, quase final da tarde, com um forte cheiro a queimado que o "Fusquinha" ia soltando por onde passava!
Em Nova Lisboa, fomos diretos procurar dois colegas, que já lá estavam aguardando por nós, o Abílio Coutinho, que também atende por "Chibobo" e o Lino de Almeida que pelo aspecto circunspecto dos seus óculos ganhou a alcunha de "Teacher"! Graças a eles, já não sei se foi ao "Chibobo" ou ao "Teacher", conseguimos ser recebidos nas oficinas da Robert & Hudson, onde um, ou o Pai de um deles, tinha um ótimo relacionamento. Deixamos o "Fusquinha" na oficina, de um dia para o outro, para ver o que se poderia fazer..., segundo o gerente da oficina!
Procurada uma pensão, de acordo com a nossa condição de estudantes e relatados todos os dissabores sofridos para chegar até ali, na mira de um descontinho, fomos acomodados os irmãos num quarto e eu e o Fausto no outro. 
Banho tomado, corremos para a esplanada do Ruacaná onde os nossos colegas já nos esperavam, para saborearmos um belo bife com todos, a primeira refeição a sério que fizemos desde que saímos de Sá da Bandeira, tudo muito bem regado com o tradicional "fino" da Cuca, combinando, de antemão, que no dia seguinte lá estaríamos de manhã cedo na Robert & Hudson para saber do estado de saúde do nosso "Fusca"!
As noticias não eram boas! Teriam que substituir o prato do eixo, do lado onde rodara aquele pneu, maior do que os outros e de quebra iriam substituir o pneu por um outro de tamanho de jante recomendado e que estivesse em boas condições para continuarmos viagem! Quanto nos iria custar? Bom, sabe-se lá, respondeu o gerente, depois nós iriamos saber quando o serviço estivesse terminado...e aí nós entramos em pânico! Com a fama de careira que tinha a Robert & Hudson íamos ficar depenados, sujeitos à humilhação de um ou mais empréstimos, se conseguíssemos, para continuar viagem!
Para nosso desespero fomos aconselhados a sair da oficina já que o trabalho ia demorar, aproveitar para dar uma volta, visitar os amigos e que voltássemos após o almoço para retirar o carro.
Vocês conhecem a estória daquele judeu que não dormia com receio de que os seus credores não pagassem o que lhe deviam? Pois é, nós estávamos assim também, só que em vez de não dormirmos não bebemos durante toda a manhã e mal almoçamos sem saber onde iriamos arranjar dinheiro para pagar à Robert & Hudson e continuar viagem ainda com algum dinheiro no bolso!
E como o "causo" vai longo e a narrativa ainda vai a meio da viagem, eu também vou parar por aqui, a meio, e continuar o "causo" amanhã, causo ainda haja alguém interessado em ler e saber o que aconteceu até chegarmos a Luanda!
Aquele abraço!


Alexandre Morgado Eliezer foi o meu melhor amigo quando estudávamos em Santarém. Nas férias acampamos montes de vezes no Algarve e Foz do Arelho. Paz a sua alma
Foto de Alexandre Morgado.
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07/6/2014

12:04

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... A PROFESSORA Dª VENILDE! by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... A PROFESSORA Dª VENILDE!

A maioria de nós talvez não tenha chegado a conhecê-la e muitos poucos de nós foram seus alunos, mas a maioria talvez se lembre que dentro do edifício do Internato existia e funcionava um posto escolar, ao lado da antiga enfermaria, território do enfermeiro Duarte "Stuart", que recebia as crianças, filhas de funcionários e professores e também outras crianças vindas do Caholo, opção mais próxima para o estudo, do que as escolas da missão ou da Humpata, bem mais distantes!
Quando cheguei ao Tchivinguiro a professora desse posto escolar ou simplesmente Escola era uma senhora cujos cabelos começavam a ficar grisalhos, baixinha e não diremos que era gordinha, mas para lá caminhava. Senhora, aparentemente calma e discreta (escrevo aparentemente porque de vez em quando dava para escutar os seus berros repreendendo alguns dos seus alunos), mas que ainda hoje é relembrada com carinho por um dos nossos colegas que foi seu aluno oVictor Baamonde e que me forneceu material para reavivar as minhas lembranças.
Normalmente só viamos a Dª Venilde à hora do almoço quando ela subia até ao refeitório para partilhar a mesa com o nosso colega Regente de Internato Bernardino Duarte "Fiuza" e foi assim que nos apercebemos de que a pobre senhora sofria de uma doença nervosa que a fazia tremer constantemente e que logo serviu de motivo para as apostas entre os quatro ocupantes da nossa mesa. A aposta consistia em quem acertava no trajecto e no numero de colheradas de sopa necessárias, do prato até à boca, sem derramar a sopa e sem ter que repetir a operação!
Segundo o Victor Baamonde, foram seu colegas nesse estudo primário, o filho da própria professora, Néné, as filhas do Dr. Narino, os filhos do Jaime, da vacaria, do Correia, da carpintaria, do nosso colega "Fiuza", do velho e saudoso Leôncio contínuo da secretaria e a turma que vinha do Caholo, cavalgando em cima de lombo de burro, fizesse sol, frio ou chuva, os filhos do João Ferrão, será que a nossa amiga Elsa Ferrão de Jesusestaria entre eles (?) e o filho do lendário e já nosso referenciado caçador de Capangombe Maneco, além do filho mais velho do Morais, motorista e a afilhada e a filha do Mário Graça da copa!
Voltando à Dª Venilde, também não dá para esquecer os saborosos licores de menta, laranja e tangerina acompanhados com fatias de um saboroso "pão-de-ló", tudo feito por ela, na casa por cima da horta e que ela vendia, às escondidas "benevolentes" do Dr. Pablo "Batuta", casa essa que mais tarde, também serviu de residência às famílias do nosso colega Grácio "Libório" e depois ainda à família do Jaime, pai do nosso colega Leonel! 
E sobre essas idas "às escondidas" a casa da Dª Venilde, lembrei que deu azo ao aparecimento de uma quadrilha de uns 5 "malfeitores" semi-bichos, cujos membros não vou declinar para não me comprometer e "queimar" a minha imagem, que emboscados nas margens daquele carreiro que levava das traseiras do Internato, passando pela sebe de ciprestes, até ao cimo do morro, junto à casa, cobrava dos "bichos" desprevenidos uma rodada de cálices de licor para todos os integrantes da "quadrilha", se é que eles, bichos, também quisessem bebericar o licor sem mais nenhum problema...com o tempo e com a frequência dos "assaltos" os bichos resolveram trocar as voltas e o caminho, abandonando a velha trilha e forçando os "meliantes" a pagarem os licores com o seu próprio dinheiro, o que reconhecidamente pelos integrantes da "quadrilha" foi uma autentica malvadeza! 
Aqui fica Dª Venildes, que já não deve estar mais entre nós fisicamente, a nossa homenagem à Professora responsável pela formação de alguns dos nossos colegas e por algumas crianças que sem outra condição de ensino, e sem se afastarem do aconchego da família nos primeiros anos da sua existência, se prepararam para enfrentar a vida através das suas aulas e voar mais alto no futuro!
Aquele abraço!

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07/6/2014

11:53

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...NÓS E O 25 DE ABRIL OU...VICE-VERSA... by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...NÓS E O 25 DE ABRIL OU...VICE-VERSA...

Não, não, não é o que estão pensando, não vou tirar créditos nem dar méritos a quem os mereceu ou não! A História o fará com muito mais autoridade do que eu, salvo aqueles que ficaram tremendamente prejudicados com a perda da vida e do convívio daqueles que já não estão entre nós, pelo simples facto de terem ido cuidar da vida em outras paragens e a perderam por incúria de alguns poucos!
Estou aqui, meditando com os meus botões que apesar de tudo o que já foi dito de bom e de ruim sobre o que uns designam por revolução e outros consideram golpe, algo de bom sobrou para a maioria de nós, a possibilidade de se firmarem como Profissionais em terras estrangeiras e também portuguesas continentais, já que alguns, por dificuldades de transporte, restrições cambiais e a maioria por se sentirem bem em Angola, nunca tiveram a pretensão de lá sair, a não ser pela força de uma descolonização sem honra e vergonhosa!
Comigo foi assim, abalei para um país cujas únicas afinidades eram a língua, as culturas agrícolas e o clima e um pouco de tolerância da parte daqueles aqui nascidos e nenhuma por parte dos patrícios da Metrópole aqui bem estabelecidos.
Na bagagem, o que a vida até ali me tinha ensinado e o que aprendi em casa e nas escolas. Na algibeira uma folha de papel almaço, com os endereços das multinacionais que operavam, também, em Angola, copiados da lista telefónica de São Paulo e os curriculos batidos durante a noite numa máquina de escrever, portátil, Babby Olivetti!
E assim foi o meu começo num país estranho que não conhecia, galguei um a um os degraus da escada profissional, desde lá debaixo, tendo como apadrinhamentos únicos a minha capacidade profissional, a voluntariedade de vencer e o carácter herdado e transmitido pelos meus Pais e Professores, até atingir o topo da carreira dentro da multi que me aceitou e acreditou em mim!
Acredito que a maioria dos colegas saídos das chamadas ex-colónias portuguesas e espalhados por este mundão de Deus, galgaram, também, semelhantes degraus, passo a passo e com o mérito e a coragem que lhes proporcionou o bem estar e sucesso de que hoje desfrutam!
Politiquices à parte, esse é o maior mérito que o 25 de Abril nos legou, cabeça erguida, enfrentamos novos mundos e vencemos, tal como os maboques, duros por fora mas agridoces por dentro!
Para todos nós um sonoro:
Ao Alto, Ao Alto! Charrua!


  • António José Fernandes Maia É isso aí Antero Gonçalves, ainda me lembro, quando da nossa chegada pelo Brasil, em Ribeirão Preto-SP, , quando aos domingos no convívio da tua família, encontrava solidariedade, para vencer aqueles obstáculos do começo, além de te "filar" o almoço... Aquele abraço

  • Jose Filipe Santos Disseste tudo,nada mais se pode acrescentar. Abraço, Ao Alto Ao Alto Charrua

  • Antonio Coelho da Cunha Um grande abraço amigo e apesar de o 25 de Abril não ter trazido tudo aquilo que se pretendia, penso que a liberdade de expressão de qu beneficiamos, é bom, ê muito bom mas, preferia que houvesse maiores garantias a nível social, a Educação e Cultura gratuitas, a Saúde gratuita e garantida, e apoio à velhice garantido, atenta e respeitando os direitos dos aposentados que descontaram uma vida, para serem agora espoliados daquilo que depositaram todos os meses, dhrante anos. Eu não estou satisfeito com o resultado. Será qhe valeu a pena?

  • Hernani Torrinha Entre ops melhores somos os melhores e maiores

  • Milu Vasconcelos 4o anos de provas dadas...

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12/5/2014

0:15

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO'...A ORIGEM DA PALAVRA "CAPIANGO"! by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO'...A ORIGEM DA PALAVRA "CAPIANGO"!

A sequência de "causos" está-se tornando um enredo muito semelhante a uma tigela cheia de tremoços, quando se come um não se consegue parar mais até comer o ultimo e, se forem acompanhados com uma cervejinha estupidamente gelada então...
Pois é, então vamos substituir os tremoços e as cervejas pelos "causos" que os nossos colegas me vão enviando e lembrando, para que não fiquem mofando na memória de poucos e sejam ventilados pela curiosidade de muitos.
O de hoje foi-me sugerido pelo nosso colega José Azevedo "Pica-Pau", causado por um outro nosso colega José Vilela de Freitas "Tecto", infelizmente já falecido vítima da "exemplar descolonização" e da brutalidade humana!
O "Tecto" era meu contemporâneo e colega de turma, entramos juntos para o Tchivinguiro. Possuidor de uma inteligência fora do comum era considerado pelos professores como um dos alunos mais inteligentes e dedicados da época.
A sua alcunha "Tecto" ficou registrada pelo solene e tradicional baptismo ministrado por Sua Excelência o Reverendo e Primeiro Bispo do Tchivinguiro e Caholo "Dom Esgueira", também chamado de Rodolfo Romão Veiga.
Chamávamos o Vilela de "Tecto" devido a um problema que ele tinha na visão, que o obrigava a colocar a cabeça levemente inclinada para o lado e ligeiramente erguida, dando a impressão que estava a olhar para o alto, podendo assim ter uma visão melhorada de tudo o que o cercava ao redor e acima da sua cabeça e, por isso, ficou "Tecto".
Lembra o "Pica-Pau" que a palavra "capiango" que em português se traduz por roubar, surrupiar, tem origem Banto e que também se usa no Uruguai ("Causos" também são cultura!), embora o acto em si esteja institucionalizado por alguns politicos universais...
Mas voltando ao "Tecto" estava ele a "capiangar" maçãs reinetas naquele pomar que ficava separado por uma vala, para baixo daquela estrada de eucaliptos que marginava lateralmente o nosso campo de futebol, que não era padrão FIFA e cujo gramado inexistente foi substituído pela mais pura e original terra Tchivinguirense (nós prestigiávamos as raízes), quando percebeu um vulto azul caminhando furtivamente por entre os troncos dos eucaliptos, em direção ao pomar, só que esse vulto era do nosso querido e saudoso director Dr. Pablo, carinhosamente chamado de "Batuta", que via de regra costumava se proteger do frio com um jaleco de malha azul marinho, e que avançava na perspectiva de surpreender em flagrante actividade de "capiango" um "capiangador" confesso.
E o "Tecto", na sua ingenuidade segundo o "Pica-Pau" e na sua criatividade, segundo eu "Sete", sabendo que não tinha como nem para onde fugir, decidiu subir numa pequena árvore que vegetava perto do pomar e pendurar-se de cabeça para baixo e esperar a chegada do "Batuta" e do consequente sermão.
Perplexo com o tamanho da atitude insólita, o "Batuta" chegou mais perto e questionou o "Tecto": "Ó Vilela, o que estás aí a fazer pendurado de cabeça para baixo?" ao que o "Tecto", aí sim, chamando toda a sua ingenuidade respondeu: "Era para o Sr, Director não me reconhecer..."
Contam os observadores de plantão, que o "Batuta" ficou estático por segundos, depois deu meia volta abanando a cabeça e soltando sonoras e alegres gargalhadas entrou na "station" e lá foi dirigindo e rindo!
Meu amigo José Vilela de Freitas,"Tecto" para todos nós descansa em Paz onde quer estejas e recebe este "causo" como um tributo de admiração, amizade e homenagem dos teus colegas e amigos José Azevedo "Pica-Pau" e Antero "Sete"!
Aquele abraço.

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09/5/2014

20:27

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...O ASSALTO FRUSTRADO! by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...O ASSALTO FRUSTRADO!

Após este interregno, nada de grave com a minha saúde a não ser um surto de "preguicite aguda" já debelado com a vacina de um "causo" narrado pelo Sergio Cardoso "Gabela" e que segundo ele foi causado por um amigo e colega actualmente tirando leite de vaquinhas, lá para as bandas do Nordeste brasileiro, embora o "causo" tenha sido causado em outras bandas daqui distantes, lá prós pomares do Tchivinguiro.
Numa daquelas noites ociosas de sábado, em que nem sessão de cinema mambembe tinha, um grupo de colegas resolveu se divertir com aquela diversão tão conhecida e praticada por todos nós de arriscar um assalto aos pomares e uma berrida de pedradas e de gritos de "num rôba, minino! num rôba..." soltados pelos guardas muilas.
Organizado o grupo, traçada a estratégia que nem generais debruçados em planos de guerra para subtrair umas dezenas de pêras verdes, lá se abalaram para uma investida em "território inimigo" todos lembrados de que o silêncio era o sucesso da expedição.
Desceu o referido grupo no maior silêncio, cigarros apagados e com o máximo cuidado para não chutar as pedras do caminho (êna pá! Diz lá ó Rui Manuel Cuca, se isto não dava um fado?), quando um dos integrantes do grupo o "gigolô" das vaquinhas (o jargão não é meu, é o que se diz nestas bandas de quem ganha a vida extraindo leite das vacas), antevendo o desarranjo intestinal que a fruta verde lhe iria provocar resolveu, por antecedência, aliviar as suas cólicas e providenciar mais espaço no interior da sua cavidade estomacal, de cócoras, já em "território inimigo", debaixo de uma pereira, enquanto o resto do grupo unido o aguardava a uma distância conveniente para garantir a privacidade do evacuante e ficar longe de possíveis maus cheiros e ruídos desagradáveis...
Parecia que tudo estava normal e o sucesso da "operação" estar garantido quando, de repente, da escuridão da noite brotou um tremendo berro que nem o Adamastor assustando os tripulantes das nossas heroicas naus de outrora, que fez com que os grilos do campo deixassem de grilar, os sapos deixassem de coaxar e o grupo "pernas-pra-que-te-quero" que nem viram a figura do nosso colega atrapalhado, saindo das trevas tropeçando nas calças arriadas, enquanto ia avisando: "não fujam, não fujam, foi uma pêra que caiu na minha cabeça, enquanto estava cagando!",,,só que os guardas também despertaram e não estavam cagando sairam naquela tradicional berrida de pedradas e gritos: "num rôba, minino! num rôba..."
Aquele abraço.

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09/5/2014

20:17

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...AINDA NÓS E O 25 DE ABRIL... by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...AINDA NÓS E O 25 DE ABRIL...

Dos muitos comentários que recebi sobre este "causo", a maioria apoiando e muito poucos desagradados com a maneira a que me referi à descolonização portuguesa, recebi do nosso colega José Azevedo, "Pica Pau" o seguinte e:mail que vou transcrever, mesmo sem a sua autorização,por o achar muito interessante e digno de ser divulgado!

"Olá, meu velho Amigo:
Falaste no 25 de Abril e na tal "descolonização sem honra e vergonhosa" e achei curiosa a coincidência de sermos talvez os únicos "retornados" que não chamam à dita "revolução", a "revolução dos cacas", em vez de "revolução dos cravos". Já nem te deves lembrar que nesse mesmo dia (25 Abril 74) nasceu o meu filho Pancho, o que basta para me contentar. Eu estava na zona de Cacuso e suspeitei logo que aquilo cheirava a esturro. Mas, passados 40 anos, os cravos (que afinal nos cravaram...) estão cada vez mais secos e desbotados, talvez por falta de rega e também por contra-informação dos que foram mandados fora (como nós), ou então pela indiferença/ignorância das novas gerações, que se estão borrifando para essa história da carochinha, mal contada pelos caricatos capitães de Abril...
Mas adiante...
Muito mais significantes para mim, são os teus "causos" que contam as vivências de "Charruas" que se negaram e que ainda se negam a morrer sufocados por cravos de burro. Os "causos" e as tuas reflexões, são a melhor narrativa de uma epopeia que vai passando de mail em mail, protagonizada por outros "Capitães da Areia", como o Gâmbias, o Esquilo; o Procópio, o Sérgio, o Pau...
E para mim é tão simples quanto isto:
Os "Charruas", regentes do principado do Tchivinguiro, eram filhos de TCHIVIN (vento) e de GUIRO (zanga). De TCHIVIN herdaram a capacidade de adaptação, de construção e de renascer das cinzas; e de GUIRO herdaram o esquecimento.
Mas pelas leis de Mendel, o caracter esquecimento não era dominante e não tinha para alguns "Charruas" a menor importância. Até que a descolonização os separou de Angola, onde até tinham feito coisas assombrosas. Tinham conquistado prestígio à custa de mérito, foram membros de excelentes equipas técnicas, médicos, empresários agrícolas, comerciantes, directores, diplomatas, viajantes, agrónomos ou veterinários, até houve um regente agrícola que foi bispo em Benguela!
A descolonização acabou com o alfobre do Tchivinguiro e pulverizou os "Charruas", que partiram destroçados à procura da Arca Perdida. Mas lançados de novo a caminho, depois de terem passado da luz para a obscuridade, vaguearam pelo mundo em busca de uma nova oportunidade,
andaram por cidades, florestas e desertos,
experimentaram profissões diversas e incríveis,
mudaram de hemisfério e de continente,
descobriram novos mundos e novos amigos, 
abriram novas portas e janelas,
acharam novas "terras de promissão".
E tornaram a renascer... até serem esquecidos. 
UM ABRAÇÃO"

Obrigado, meu amigo e colega José Azevedo, em meu nome e de todos aqueles que connosco partilham este espaço!
Aquele abraço.

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24/4/2014

16:33

Outros "Causos" by Horacio Almeida


Divirto-me com os" causos" do Antero e hoje não resisto e vou comentar um passado na ERA - Santarém.
Era uma aula de tecnologia e o professor comentava o desenvolvimento de novas máquinas e tecnologias. 
Um engraçadinho, cujo nome não lembro mais , querendo gozar o professor comentou que na terra dele tinham inventado uma máquina onde se colocava um porco na entrada e do outro lado saíam os chouriços prontos.
De pronto o professor retorquiu :
Melhor fez o teu Pai, que enfiou um chouriço e saiu um porco.
Risada geral e não mais se livrou da gozação.

Antero Gonçalves Essa foi muito boa Horácio! O espirito desse teu professor era muito parecido com o do nosso "Melões", resposta rápida e sarcástica, na hora! Mais satisfeito fico, por verificar que estes "causos" despertaram lembranças, não só entre os colegas e amigos do Tchivinguiro, mas também agora extensivo aos colegas de outras Escolas! Vai contando mais "causos" porque eles fazem bem à alma, venham eles de Santarém, Coimbra, Évora ou Vila Peri (?). A propósito, por onde andam os colegas de Moçambique?
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24/4/2014

16:31

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...O MELÕES E O ALHO! by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...O MELÕES E O ALHO!


Recebi há alguns dias e:mail do nosso colega José Azevedo "Pica Pau", preocupado com a ausência dos nossos "causos" e como bom amigo, pensando que eu não estava "causando" por falta de "causos", pediu que eu contasse um passado na sua turma, com aquele que foi nosso Professor, o saudoso Dr. Manuel Fernandes "Melões" e do qual guardo saudades, pelo seu espírito jocoso e crítico, no trato dos "causos" "causados" no nosso quotidiano, além de ser um Professor dotado de uma capacidade de comunicação aliada a gestos que muito facilitavam a nossa compreensão sobre as matérias que ele explicava.
Sobre a minha relação com esse Professor contarei no próximo "causo", para que o atual não perca o brilho, perante o brilho do "causo" contado pelo "Pica Pau".
Segundo o "Pica Pau" e <<a propósito do Melões, vou contar-te um "causo" passado na minha turma:
Estava o Melões entretido a contar aquelas estórias da sua vida e trajava, como habitualmente, uma balalaica de cotim e umas calças também de cotim cinzento claro, que por acaso tinham uma nódoa vermelha (tinta da china?) numa das pernas. Contava-nos histórias da sua estadia em Maquela do Zombo, como tenente, os seus problemas com o hemorroidal, de uma fazenda de tabaco que teve à sociedade na região de Quilengues, de umas minas de cobre que demarcara... Mas, infelizmente, nada tinha dado certo.
A certa altura ouviu-se um burburinho na sala, porque estava a passar de carteira em carteira uma mensagem enviada pelo João José Valério Alho. O papelito, continha a seguinte quadra, de autoria do Alho:

No cobre e no tabaco
O homem já teve azar
Também tem hemorróidas no "mataco"
Vê-se à rasca para cagar.>>

E assim foi o "causo" das actividades resumidas do nosso saudoso Professor, faltando apenas acrescentar aquele outro "causo" acontecido naquela fazenda serra-abaixo, também de sua propriedade, em que "uma das suas melhores vaquinhas leiteiras engoliu um pedaço de arame que por descuido foi junto com o feno e que com o passar do tempo a vaquinha foi ficando fraquinha, fraquinha, recusando-se a comer". Preocupado e não sei como, o "Melões" descobriu que ela, a vaquinha, estava com um problema no esôfago. Descoberto o problema, mãos à obra ou melhor, mãos à operação para extração do arame, que foi muito bem sucedida mas, por espanto e isso é que ele "Melões" queria contar, o arame em vez de seguir o curso normal no aparelho digestivo, fixou-se no esófago, formando um anel!
Explicações? Eu não as sei dar e aconselho, meus amigos e colegas a não as ir pedir ao nosso saudoso Professor porque, senão, será um de vocês que nos deixará em breve...
Aquele abraço!

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10/4/2014

23:03

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"..."EMBRULHO DESEMBRULHADO!'...ESCLARECIMENTOS HISTÓRICOS SOBRE A ORIGEM DO MANECO DE CAPANGOMBE. by Antero Sete


Aí está uma foto do Sr. Maneco de Capangombe! Nesta foto está o Sr. Maneco, o meu pai João Ferrão e um Mucubal

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"..."EMBRULHO DESEMBRULHADO!'...ESCLARECIMENTOS HISTÓRICOS SOBRE A ORIGEM DO MANECO DE CAPANGOMBE.

Ainda quentinhas, como o pãozinho de queijo, lá de Minas, que oFrancisco José Gonçalves Chegão nos oferece nestas páginas, assim são, também, as noticias que o José Azevedo "Pica-pau" nos serve e que com a devida vénia eu transcrevo, para informação de todos nós e, principalmente para os nossos colegas António Leite Saraiva e Lino Camacho que motivaram e comentaram "causos" passados.
Alguma vez vocês imaginaram ou pensaram em investigar os ancestrais do Maneco de Capangombe? Pois bem, eu também não, mas o nosso colega José Azevedo Pica-pau", sim e, por isso, aqui vão os resultados da pesquisa feita pelo Azevedo, nas suas próprias palavras: <<Quanto ao "Maneco de Capangombe", deves ter visto na NET um pedido de informações feito por um senhor que diz ser seu neto, bem como um trabalho essencialmente fotográfico de um cubano que passou por Capangombe em 2006 (salvo o erro)...Ora, ao que consegui apurar, o Maneco que conhecemos em Capangombe e morreu no Lubango, em casa de sua filha Laura, no ano de 1949. Portanto, nenhum de nós conheceu o Maneco mais velho,mas apenas o seu filho, que na inauguração da Escola Dr. Francisco Machado, também já era velhote. Ou então nós é que eramos demasiado meninos.Acontece que na listagem de colonos luso-pernambucanos que chegaram a Mossamedes (na altura escrevia-se assim mesmo, com 2 esses) em 1849/1850, não consta o nome Manuel Fernandes,pelo que a sua ascendência brasileira (note-se que os colonos provenientes de Pernambuco eram portugueses mandados de fora) dificilmente poderá ser comprovada. Todavia, na lista de cabeças de casal procedentes da ilha da Madeira e que chegaram ao Lubango em Janeiro de 1885, há de facto um Manuel Fernandes mas também não poderemos dar por adquirido tratar-se do "Velho Maneco de Capamgombe".E assim ficamos com uma bela desordem "Serra-Abaixo", a pedir mais pesquisa histórica, coisa que nos esquecemos de fazer enquanto andamos no Tchivinguiro. Deduzo que Manuel Fernandes (o mais velho, que morreu em 1949) seria um homem de invulgar cultura geral, pois deu aos filhos uma base sólida de conhecimentos, como é verificável pela facilidade de comunicação do seu filho "Maneco de Capangombe", que nós conhecemos, como pela excepcional educação que proporcionou a sua filha Laura (mais conhecida por Laura Cambuta), que tocava piano, falava francês e casou com o Padre Martins...>>
Este foi o resumo da pesquisa que o nosso colega Azevedo realizou para decifrar o enigma da ascendência, que se supunha brasileira, do nosso lendário conhecido de alguns e amigo do António Leite Saraiva "Gãmbias" e do Lino Camacho, que segundo o próprio e ainda o "Pica-pau" se conheceram bem << pois eram ambos (Maneco e Gâmbias) aficionados de cavalos e burros>>!
Agora sim, foi dado um passo quanto às origens do Maneco e, julgo, que logo logo, teremos mais novidades.
Aquele abraço!

Anexo de fotografias dos comentários


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07/4/2014

17:43

TCHIVINGUIRO + 1 ... "DESEMBRULHO DE CAUSOS"... E AS SUAS RESSONÂNCIAS! by Antero Sete


TCHIVINGUIRO + 1 ... "DESEMBRULHO DE CAUSOS"... E AS SUAS RESSONÂNCIAS!

Quando comecei a escrever estes nossos "causos" movido pela esperança de resgatar o convívio de amigos e colegas que viveram o Tchivinguiro, nunca pensei que amigos que nunca viveram essa experiência e emoção, tais como a Deolinda Santos e a Roseane Rosinha Gonçalves, por exemplo, se interessassem tanto pelos "causos" ao ponto de me chegarem a indagar o que era o Tchivinguiro.! Para elas era uma coisa confusa, meia mistica e maçônica que não conseguiam decifrar o que é ou era o Tchivinguiro e não compreendiam esse envolvimento emocional e camarada que ultrapassou o tempo, fronteiras e países e que eu mesmo, propositalmente, não esclareci completamente, para que elas continuem mantendo nas suas imaginações aquele clima nebuloso e misterioso das "Brumas de Avalon"!
Agora, após a publicação de mais de uma dezena de "causos" vejo-me recompensado pelo esforço de memória, por ter cutucado amigos e colegas com quem não me encontrava há anos, grato por ter despertado a sua curiosidade leiga, sobre algo que era totalmente desconhecido e incompreendido por elas, e que vai continuar sendo,o que me leva a subentender que muitas outras pessoas têm o mesmo interesse em compreender o que nós, família Tchivinguirense somos e o que representamos nos países onde desenvolvemos a nossa capacidade profissional e social!
Em reforço às ressonâncias desses "causos", recebi e:mail do nosso colega, amigo e companheiro de muitas décadas, José Azevedo "Pica-Pau", que devidamente autorizado por ele, reproduzo parcialmente:
" Meu velho Amigo: Para mim, tu estás como a "Irene" entrando no Céu, nas palavras de Manuel Bandeira. Não precisas de pedir licença, podes copiar, reformular, integrar nos teus saborosos "causos" as dicas que por vezes te envio, as quais não passam de simples apêndices ao que por ti foi redescoberto". E, mais adiante ele continua: "Olha: telefonei hoje ao dito protagonista do "foi tu sim" (fez 81 anos em Fevereiro) e podes acrescentar mais um pormenor ao que disse na "mukanda" anterior: o "causo" não foi julgado na Humpata, mas sim no Lubango, pelo juiz Bruto da Costa. E foi nessa acareação que foi proferida a célebre frase: "foi tu, foi tu mesmo", que depois ficou para a história."
E tenho mais revelações a fazer, graças ao "Pica-Pau", que brevemente será Doutor, agora sobre o "Maneco de Capangombe", baseadas em pesquisas históricas que brevemente serão reveladas.
Em homenagem e agradecimento ao nosso colega José Azevedo "Pica-pau", anexo uma foto tirada no almoço de 2012, no Cartaxo, onde estão o Azevedo, sua esposa, grande e compreensiva amiga, Regina e o Matos Pereira, para quem também envio aquele abraço!


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01/4/2014

10:22

TCHIVINGUIRO + 1..."EMBRULHO DE CAUSOS"... by Antero Sete


TCHIVINGUIRO + 1..."EMBRULHO DE CAUSOS"...

Eu tinha prometido e cá estou de volta, quem não gosta só tem que deletar!
É um "Embrulho de Causos", porque no minimo vou contar três "causos" que aconteceram meio (se existe isso) embrulhados!
No anterior falei das pessoas simples e das não tão simples, que ajudaram ou fizeram parte da nossa formação de carácter, pois algumas delas eram tão simples, que quando o nosso saudoso colega "Manso" Alexandre Resende me contou, inicialmente eu não acreditei, mas depois de confirmado por vários outros colegas e a ultima vez foi na semana passada, testemunho garantido e verídico do "Gâmbias"António Leite Saraiva , aqui vai o "causo" acontecido com uma jovem de família humilde, filha de um modesto funcionário da Escola, que moravam a meio de uma encosta, numa das casas mais humildes pertencentes ao patrimônio escolar, que sendo abordada e seduzida por um aluno, teve que ir prestar declarações no Posto da Humpata. Chegada lá e arguida sobre a hora e local a jovem apenas declarou, fazendo um gesto com a mão na vertical, indicando a hora: " Foi tu sim, lá no capim, quando o sol (aqui entra o gesto) estava a esta altura do capim!". Como terminou o "causo" eu não sei, mas podem perguntar para o "Gâmbias" que foi o padrinho do "causo" que o "Manso" me contou!
Um outro "causo", coincidência, autoria do "Gâmbias" , três amigos funcionários da Escola e aqui não vejo porque não entregar os nomes, o Jaime da vacaria, Correia da carpintaria e Vilares, de muitos oficios e quebra galhos, resolveram ir caçar um viado, de quatro patas, para garantir uma caldeirada planejada para um domingo próximo. 
O local escolhido, também muito conhecido por todos, <foi o lado direito da nascente, naquela encosta, onde mais para o alto existem uns "bunkers" de pedras, autênticas muralhas onde segundo os diz que diz, se travaram confrontos entre os colonos (o "Gâmbias" não se lembra se eram boers ou portugueses) e a população nativa.> Mas voltando ao "causo" os três caçadores já referidos, de caçadores iam virando caça, quando viram um vulto se mexendo dispararam as caçadeiras e eufóricos partiram correndo em direção à caça e quando lá chegaram, deram meia volta, batendo com os calcanhares no rabo, porque deram de caras com um leão moribundo! Quem me contou foi o "Gâmbias" e para fechar este "embrulho de causos", aqui vai uma contada pelo Sérgio Fernandes, "Gabela" que ele e o "Velhote" também conhecido por "Batata" , Ferreira, que também e infelizmente já não está entre nós para autenticar o "causo" numa tarde resolveram descer até ao Bruco para ver uma mucubal que, segundo o "Gabela",<tinha servido de modelo para uma coleção de selos dos CTT de Angola> mas o poético do causo é que quando lá chegaram a bela mucubal estava no pomar das laranjeiras imaginem...colhendo laranjas, o que mais poderia ser?...e, por hoje vou voltar a embrulhar tudo porque isto já vai longe!
Aquele abraço!
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01/4/2014

10:13

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...MANHÃ FILOSÓFICA...E PROMESSA DE UM EMBRULHO DE "CAUSOS"! by Antero Sete

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...MANHÃ FILOSÓFICA...E PROMESSA DE UM EMBRULHO DE "CAUSOS"!

Não sei quem é o autor da frase..."que o Tchivinguiro foi a Escola da vida...", o que não deixa de ser verdadeiro porque, realmente, o Tchivinguiro era o ponto de concentração onde arribavam jovens oriundos de todas as regiões de Angola, que na ebulição do fervor da juventude se integraram às pessoas e á vida de quem já lá estava, se aventuraram mato a dentro pelos carreiros nativos abertos pelo palmilhar dos pés descalços e calejados dos habitantes da região, se integrando e tentando compreender e respeitar os seus usos e costumes, mérito esse, o da frase, compreendida na formação ou lapidação do carácter de todos nós o que nos transformou nos homens que hoje somos, espalhados por este mundo de Deus!
Pois muito bem, atribuo essa qualidade de entrosamento com outras gentes, outros povos, outros hábitos e costumes ao facto de no Tchivinguiro termos convivido com pessoas e costumes diferentes daqueles a que estavamos habituados na nossa casa e ao facto, também, de muitos de nós terem ingressado na Escola ainda crianças, 13 anos era a idade miníma para a matrícula, de repente afastados do aconchego e mimos do lar, distribuidos por mães, pais, irmãos e demais família, vendo-se na necessidade de assumir responsabilidades, tomarem decisões, pôr em prática atitudes, se defenderem e progredirem entre alunos mais antigos e vividos, diplomados na escola da vida e dos desenrascanços.
Talvez tenha sido esse conjunto de experiências vividas, o fermento e o cimento das amizades eternas e da união que caracterizam todos aqueles que passaram pelo Tchivunguiro e que tanta admiração causaram e ainda causam, em quem nos conhece e partilha da vida connosco!
Sendo assim, é desse espirito de conjunto de convívio fraterno de colegas, professores, funcionários da administração e do internato, pastores e trabalhadores rurais, povo da nascente e da missão que deu origem ao que nós somos hoje, com os nossos defeitos, duvidas e qualidades mas, sobretudo, muitas virtudes!
Para todos nós, aqui fica a minha exortação de solidarismo e amizade, AO ALTO, AO ALTO!...CHARRUA! E COM MAIS CALOR AINDA...PH!...6,6,6! E PARA TERMINAR, QUEM SOMOS NÓS?...REGENTES EDUCADOS, MUITO QUIETOS E CALADOS! AI SOMOS?...

P.S. Os "causos" ficam para daqui a uns dias!
Aquele abraço!
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25/3/2014

20:09

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"..."EL CARAPAU"...OU D. FERNANDO CABÊDO MACHADO! by Antero Sete


TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"..."EL CARAPAU"...OU D. FERNANDO CABÊDO MACHADO!

Cá volto eu para exaltar a memória e a figura de um colega que graças ao seu carisma e inteligência marcaram época, não só no Tchivinguiro, mas por todos os lugares por onde transitou.
Podem acreditar amigos e colegas, não é, digamos "chacota", mas sim uma homenagem a uma figura carismática de quem eu me considerei e considero amigo e, por ele também fui considerado!

Como já narrei no "causo" anterior, a expectativa da chegada do "Carapau" ao Tchivinguiro era grande e se por alguns veteranos era ansiosa e alegremente aguardada, para nós semi-bichos mais aquela arraia miuda dos bichos e pelos outros cujo nome da classe já diz tudo, neutros, mantinha-se aquele clima de expectativa receosa da chegada do mito que se transformara em lenda!
E eis que chegou, "Carapau" de nome de baptismo Fernando Gustavo Garcia Cabêdo de Machado, membro da nobreza portuguesa, afirmado por ele mas nunca confirmado por nós outros plebeus.
Logo de chegada já foi "causando", confiscados os copos de vinho que faziam parte do cardápio diário do almoço, dos bichos semi-bichos e neutros das mesas vizinhas à sua, mandando avisar, imbuido na autoridade auferida por 8 matrículas distribuidas pelas quatro Escolas de Regentes Agrícolas, que depois do almoço toda a bicharada, incluindo os neutros, deveriam se apresentar para a "forma" na frente da Escola! 
E nós, cada vez mais incrédulos achando que era muita pretensão de um homenzinho, franzino, de andar meio torto, talvez porque uma das botas tinha um solado e salto mais grosso e alto, para compensar o estrago feito por um touro, um queixo recuado e o lábio inferior escondido sob o lábio superior ( até nisso a natureza o privilegiou facultando-lhe a anatomia para achar o encaixe perfeito dos copos), as longas e largas patilhas enfeitando as duas metades da sua face, a marca da cintura, que nós não sabíamos se começava no peito ou acabava no queixo, realçada por aquelas calças tradicionais do Ribatejo (acho eu), de cintura subida!
Se à primeira vista a sua figura não poderia ser comparada à de um galã de cinema, já o mesmo não poderíamos dizer do seu carisma, inteligência, coragem física e mental e sobretudo a sua enorme e natural capacidade para criar "causos", dos quais saí quase sempre em braços mas não de boca fechada!
Este era o "Carapau", já o Cabêdo Machado tem uma outra estória quando, por mim apresentado ao saudoso jornalista e Chefe da Redação do jornal "a Provincia de Angola", Jaime de Figueiredo, se revelou um grande articulista e conhecedor da causa agrícola angolana, com a publicação de interessantes artigos semanais e mais tarde com publicações mais específicas na "Gazeta Agrícola".
Em todos os lugares onde chegava, D. Cabêdo Machado era recebido efusivamente ou com certas reservas, dependendo da condição social de cada lugar mas, uma coisa era certa, carisma, inteligência, galhardia e bravura, não poderia deixar de se lhe reconhecer!
Se os leitores estavam esperando por um ou mais daqueles "causos", um deles já lembrado nesta página pelo nosso colega António Leite Saraiva, que me desculpem pela decepção, mas hoje foi a tarde em que me apeteceu abraçar a "memória" de um colega, companheiro e, sobretudo, amigo D. FERNANDO CABÊDO MACHADO!
Paz à sua alma! Para vocês que me acompanham, aquele abraço!

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23/3/2014

23:18

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...SÉRIO!...FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA. by Antero Sete



TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...SÉRIO!...FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA.

Pode ser que eu dê algumas "mancadas" na descrição do "causo", mas tudo começou bem antes da chegada de D. FERNANDO DE CABÊDO MACHADO, ao Tchivinguiro!
As praxes enfrentavam um clima de "banho-maria" e algumas vezes escutávamos, reservadamente, alguns veteranos ameaçarem "eles vão ver, quando o Cabêdo chegar! Ele era pegador de touros no grupo de forcados do Salvação Barreto, em Lisboa, vai colocar esta bicharada toda na linha!" e descreviam um rol de valentias atribuídas ao D. Cabêdo e nós ficávamos imaginando o tamanho da "fera" que estava para chegar, até que no inicio do segundo período, chegou,enfim, D. Cabêdo, "El Carapau"!
E nós ficamos incrédulos, aquela figura minuscula, meio torta e mal acabada (os más línguas diziam que era ridículo) é que era o grande pegador de touros...? Mas hoje não estou aqui para escrever sobre a figura, isso o farei no próximo "causo" e sim, para escrever sobre o mérito do saudoso D. FERNANDO CABÊDO MACHADO.
Graças a ele foi desperta a arte da tauromaquia no Tchivinquiro e logo apareceram os primeiros voluntários para compor o que viria a ser o 1º GRUPO DE FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA!
Consta do Boletim anexo, que os seus fundadores foram, e eu sei que assim foi porque acompanhei de perto, "Hélder de Resende, D. Fernando de Cabêdo Machado, Celestino Ferreira Jacinto, António Ferreira Pinto, António Cardoso e Manuel Varanda - elementos com larga experiência, adquirida na Metrópole, na arte de pegar touros...enquadrando elementos inexperientes e locais: Mário Julio Simões Ferreira, António Pena Monteiro, Rodolfo Romão Veiga, todos colegas do Tchivinguro e um boa praça, talvez corvo do Liceu ou, talvez, já estabelecido na vida, João Sieiro dos Santos, mais conhecido por "Atlas".
O grupo FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA, teve vida longa como atestam o texto e as fotografias que anexo, reproduzindo a impressão comemorativa dos seus 10 anos de tradição, muito ligados á Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro, considerada o <viveiro>...e "enorme manancial" para formação do grupo.

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23/3/2014

23:13

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...SÉRIO!...FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA. by Antero Sete



TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...SÉRIO!...FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA.

Pode ser que eu dê algumas "mancadas" na descrição do "causo", mas tudo começou bem antes da chegada de D. FERNANDO DE CABÊDO MACHADO, ao Tchivinguiro!
As praxes enfrentavam um clima de "banho-maria" e algumas vezes escutávamos, reservadamente, alguns veteranos ameaçarem "eles vão ver, quando o Cabêdo chegar! Ele era pegador de touros no grupo de forcados do Salvação Barreto, em Lisboa, vai colocar esta bicharada toda na linha!" e descreviam um rol de valentias atribuídas ao D. Cabêdo e nós ficávamos imaginando o tamanho da "fera" que estava para chegar, até que no inicio do segundo período, chegou,enfim, D. Cabêdo, "El Carapau"!
E nós ficamos incrédulos, aquela figura minuscula, meio torta e mal acabada (os más línguas diziam que era ridículo) é que era o grande pegador de touros...? Mas hoje não estou aqui para escrever sobre a figura, isso o farei no próximo "causo" e sim, para escrever sobre o mérito do saudoso D. FERNANDO CABÊDO MACHADO.
Graças a ele foi desperta a arte da tauromaquia no Tchivinquiro e logo apareceram os primeiros voluntários para compor o que viria a ser o 1º GRUPO DE FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA!
Consta do Boletim anexo, que os seus fundadores foram, e eu sei que assim foi porque acompanhei de perto, "Hélder de Resende, D. Fernando de Cabêdo Machado, Celestino Ferreira Jacinto, António Ferreira Pinto, António Cardoso e Manuel Varanda - elementos com larga experiência, adquirida na Metrópole, na arte de pegar touros...enquadrando elementos inexperientes e locais: Mário Julio Simões Ferreira, António Pena Monteiro, Rodolfo Romão Veiga, todos colegas do Tchivinguro e um boa praça, talvez corvo do Liceu ou, talvez, já estabelecido na vida, João Sieiro dos Santos, mais conhecido por "Atlas".
O grupo FORCADOS AMADORES DO SUL DE ANGOLA, teve vida longa como atestam o texto e as fotografias que anexo, reproduzindo a impressão comemorativa dos seus 10 anos de tradição, muito ligados á Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro, considerada o <viveiro>...e "enorme manancial" para formação do grupo.
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13/3/2014

0:02

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...AGORA SIM É O WADINGTON!......by Antero Sete


Nunca imaginei que ao lembrar do "passarolo" iria provocar tanta movimentação e comentários por parte dos amigos colegas e, parafraseando o nosso nobre colega Couceiro da Costa "Procópio", com a devida vénia: "o velho espirito de camaradagem se mantém pelos tempos e, direi mais, ad iternum!"
Os meus agradecimentos a todos!

Postei de novo a foto do MARABU "CAETANO" para que possam acompanhar e comparar a descrição do perfil que vou fazer do Sr. CARLOS WADINGTON FERNANDES (?) valoroso motorista do D. Sebastião "O Desejado", cavalheiro, que segundo ele mesmo se atribuía, "descendente da nobreza inglesa"!
Era meu desejo que a foto ficasse parelha com a descrição, mas como com a minha natural inépcia não consegui, vocês terão que vê-la no final do arrazoado!
No inicio de uma ensolarada manhã de 1959, os colegas que desceram para tomar sol naquele mal falado murinho de frente para o Internato, do lado direito, após o matabicho e antes da primeira aula, tomaram o verdadeiro susto e os mais susceptíveis e sensíveis aos mistérios dos espíritos, ao depararem-se com uma figura postada no átrio que antecedia a entrada no edifício, deram meia volta e abalaram aos gritos: "O Caetano ressuscitou! O Caetano ressuscitou!"...os mais afoitos, prudentemente, foram-se chegando, mantendo a relativa distância de um bem comportado "bom dia!"
E como aquela figura, que nos remetia à memória do Marabu "Caetano", naquele cumprimento matinal nos pareceu ser sociável, fomo-nos aproximando e puxando conversa: " O Sr. é o novo Professor?" , " Não, eu sou Wadington Fernandes, descendente da realeza inglesa!", "Aaaahhh!" retrucamos nós embasbacados, pobres plebeus, por termos o privilégio de dirigir palavra a tão nobre criatura. A nossa perplexidade foi interrompida com o som da campainha convocando para a primeira aula.
Durante toda a manhã ficou sempre na nossa cabeça, aquela criatura, cujo perfil nos remetia ao Marabu "Caetano" e o mistério ficou maior porque o homem sumiu até à hora do almoço, quando o nosso colega e Regente de Internato Duarte "Fiúza", depois de nos ver acomodados nas mesas, pediu silêncio: "Quero apresentar a vocês o SR. Wa...Wadington e, olhando para a figura:"é isso mesmo?" Wadington Fernandes, que vai ser o motorista e responsável pelo nosso maximbombo!"
Quebrado o mistério, após o almoço, logo começaram as comparações: "Quem diria, até parece que o "Caetano" reencarnou,no corpo desse homem,olhem só pró perfil pescoço recolhido entre os ombros, parecendo que a cabeça se apoiava directamente nos ombros, aquela enorme botequilha presa entre os lábios, parecendo um longo bico, e o corpo seco, ligeiramente desproporcionado em relação ao maior comprimento das pernas!" Até que alguém, muito confraternizador se foi chegando e dizendo: " O Sr. se parece muito com o "Caetano!" "Ai sim? e quem era o "Caetano?" perguntou o Wadington, sem tirar a botequilha da boca. "Era uma ave que nós tinhamos aqui..." e aí, incrédulo, parecendo não ter ouvido muito bem..."Uma ave? "Caetano"?...e abrindo um berro: "Caetano" é o ... (bom, eu não vou escrever, mas é aquilo que os homens têm entre as pernas!).
A partir daí acabou o sossego do pobre Wadington e sempre que chegava gente nova, pediamos ao novato que fosse ao "Sr. Caetano" perguntar a que horas é que saía o maximbombo ou até mesmo cravar um Caricoco. E sabiamos que o pedido tinha sido feito porque até o povo da nascente escutava, lá longe, aquele grito: "Caetano é ...c...!" 
A partir daí o "Caetano" (H. sapiens"), tal e qual o outro "Caetano" (L. Crumeniferus)
fácilmente se enturmou com a rapaziada e até nos foi ensinando alguma coisa, em relação à masculinidade, dele... e não só, porque quando perguntado ou posto em duvida sempre dizia: "Enquanto houver lingua e dedo...não há mulher que meta medo!"
Só para constar, nenhum dos dois "Caetanos" ainda está no Tchivinguiro por isso,não precisam de sair correndo para lá...para o conhecerem, claro!
Me desculpem e...aquele abraço!
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12/3/2014

23:44

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...A CULPA É DO CAETANO...OU DO WADINGTON ? by Antero Sete


TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"...A CULPA É DO CAETANO...OU DO WADINGTON ?

Acho que enfiei a mão num ninho de marimbondos!
Continuam chegando e:mails, o que é muito bom, com opiniões controversas ou de apoio ao género ou espécime da penosa, umas pró Couceiro da Costa e outras pró Coelho da Cunha, sobrando alguns, de bandeja para o nosso colega
Manuel António Nascimento Coutinho e, já que fui eu que enfiei a mão no ninho de marimbondos ou o pé na jaca como queiram, resolvi recorrer àquele Sr. Sabe Tudo Google e publicar as fotos de cada um dos passarolos, para que vocês escolham, a livre critério, pelo local de origem, semelhança com o Wadington ou por qualquer outra razão que vos seja simpática, qual a que mais vos agrada JABURU, sul americano (1ª foto) ou MARABU, africano (2ª foto), com direito ao seguinte versinho, o 2°, enviado pelo Couceiro da Costa:
"Leptoptilos cruminiferus 
de tão nobre nomenclatura
por MARABU sou conhecido
e nunca por "passarolus", 
mas não me levem a mal,
tudo, menos canário ou pardal!"
Segundo o nosso colega José Azevedo ( ...o "Procópio" acertou em cheio e fez jus aquela velha frase muito dita e praticada por ele [Procópio]...eu cá não sou vingativo, mas quem mas faz, paga-as!).
Posto isto, vou enrolar vocês mais uma vez, com todo o respeito, e pedir que fixem bem as imagens aqui publicadas, porque só no próximo "causo" eu irei descrever e comparar a figura do nosso saudoso motorista Wadington "Caetano", para o João Morais e alguns outros e Elington para o Coelho da Cunha e uns outros!
Aquele abraço!
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12/3/2014

23:34

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... A CULPA AINDA É DO CAETANO...by Antero Sete



Antero Gonçalves

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... A CULPA AINDA É DO CAETANO...

Onze da madrugada de 4ª feira de Cinzas e acordo com um barulho animado de casa em ebulição, a filha Gabriela, anunciando o sucesso (segundo ela) da minha foto carnavalesca, cedida gentilmente para a apreciação das amigas e amigos (onde estava o meu juizo?) e lá vou eu para o computador ver as novidades postadas e os e:mails recebidos e deparo-me com mais um problema...O CAETANO...objeto de polémica!
Veio, de novo, o nosso amigo Couceiro da Costa "Procópio" (atenção, não abusem, poucos o podem chamar assim!), afirmando, que muito bem não é abutre, mas que não foge a um desafio, escudado em poema e foto, ambos encaminhados para mim, por e:mail, rápidamente corroborado pelos colegas Palma Cruz e Eurico "Pau".
De boa vontade tentei reproduzir a foto do "passarolo" enviado pelo "Procópio", mas a minha natural e idosa inabilidade em mexer com esta maquineta o impediu, por isso, amigos e colegas fico-vos devendo a foto do "passarolo" (assim o classificou o Coutinho "Vovô") que, ainda, segundo os colegas já citados, se trata de um MARABU (Ciconiiforme africano) e palavras do "Procópio" a "versalhada meio manca como resposta ao "Sete"", que mal assessorado fui, diga-se de passagem, por outros colegas (me safei bem desta!) o chamou de JABURU (Jabiru mycteria).
E, para arrematar com chave de ouro aí vai a transcrição do poema do "passarolo" que transformou o nosso colega Couceiro da Costa "Procópio" (atenção, só para alguns) em poeta inspirado:
"QUAL ABUTRE, QUAL JABURU,
QUE RAIO DE NOME TÃO FEIO!
O MEU DE BATISMO É MARABU
E CAETANO DE ALCUNHA PELO MEIO."
Aquele abraço!
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03/3/2014

22:01

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... A CULPA É DO CAETANO...by Antero Sete


    Antero Gonçalves

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO"... A CULPA É DO CAETANO... by Antero Sete
Agora sim, está estabelecida a confusão! O "Narsa" (fica a duvida com "s" ou "ç") afirma que o nome verdadeiro do motorista "Caetano" é Carlos Elington e que o passarolo é um serpentário, quanto ao "Võvô", sugere Manuel Fernandes e humilha a penosa de passarolo, já o "Esquilo" avança com um sonoro Wadington, enquanto o "Procópio" chega à conclusão que nem serpentário nem passarolo é, sim um abutre!
Quanto a mim, baseado nas informações destes e muitos outros colegas e nas minhas gratas lembranças, apenas, relato que um dia apareceu uma ave estranha e esquisita, rondando com andar empertigado e lento as cercanias da vacaria. 
Passada a curiosidade inicial, o que será! e o que não será? alguém confirmou que o tal passarolo era um Jaburu (Jabiru mycteria) o que o incluía no grupo dos serpentários e o excluía da família dos abutres!
Como Jaburu nos remetia ao Brasil, já que o povo pantaneiro o designa por Tuiuiú e a literatura, por mim conhecida, lhe atribui naturalidade sul americana e não sendo considerada ave migratória, ficou o mistério por decifrar, de como é que este cidadão sul-americano, sem passaporte e burocracias, chegou ao Tchivinguiro?
O certo é que, à custa de pedacinhos de carne, cedidos pelo Graça, do refeitório, o ave se enturmou conosco e logo teve direito, como verdadeiro "bicho" sem matrícula à aceitação incondicional e ao nosso tradicional batismo, com o resto da bicharada mal humorada, semi-bichos, neutros e veteranos, todos em perfeita e alegre (para os últimos e chata para os primeiros) procissão encabeçada pelo Reverendo Bispo do Tchivinguiro e Caholo, "D. Esgueira", que logo e apadrinhado por não sei quem deu nome próprio à ave: "CAETANO"!
Este "Caetano", penoso, era um bom camarada! Graças ao instinto que a natureza lhe deu, conseguiu chegar até ao terreno em frente ao Internato, onde fazia parte das rodas de conversa e fumo e, talvez, alguém o tenha viciado com um ou outro cigarrito...e porções reforçadas de pedacinhos de carne!
Perante a curiosidade de todos nós, no ócio dos intervalos das aulas e do alto das varandas, ficávamos observando o "Caetano", lá em baixo, aguardando pacientemente, o longo pescoço e o papo vermelho recolhidos, a cabeça apoiada entre as omoplatas, o longo bico projetado para a frente como se fosse uma comprida boquilha, o frágil corpo coberto de penas brancas e algumas pretas marginando as extremidades das asas, apoiado numa única delgada e comprida perna até que um dia, de surpresa, o "Caetano" morreu! E lá voltou aquela procissão, encabeçada pelo Bispo "Esgueira", os bichos semi nus, semi-bichos, neutros e veteranos, estes ultimos envoltos nas suas colchas brancas pranteando o "Caetano", que teve direito a encomenda da sua alma por homilia do Bispo, choro ordenado pelos veteranos e campa rasa, sem direito a lápide e flores, rapidamente esquecida, para agora, passados 56 anos vir um bronco, como eu, lembrar o perfil do "Caetano" !
No próximo "causo", trarei a imagem e lembrança do nosso motorista de descendência anglo-transmontana e que, apenas por semelhança visual também foi agraciado com o cognome: "CAETANO"!
Aquele abraço!

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