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07/6/2014

12:42

TCHIVINGUIRO + 1 "CAUSO" ... A VIAGEM INESQUECÍVEL! (2) VAMOS A VER SE OS AMIGOS E COLEGAS AQUI CITADOS AINDA SE VÃO LEMBRAR DESTE "CAUSO". by Antero Sete

"Aos meus amigos quero agradecer o retorno e os comentários sobre este "causo" no qual eu próprio não "botei muita fé", por achá-lo pouco interessante! Mas é isso aí, vocês me surpreenderam!
Aquele abraço, do Sete!"

Continuando a narração do "causo", lá fomos nós portando e tomados daquela ansiedade receosa, a caminho da Robert & Hudson, preparados para o pior...
Chegados, cheios de cerimónias como se fossemos ver o Papa, fomos saudados pelo gerente com um "tá pronto!" enquanto se dirigia para o interior da oficina e nos mostrava o "Fusquinha", brilhando, porque até lhe tinham dado um banho! (Ai Jesus, pensei eu, vamos ter que deixar o "Fusquinha" e voltar a pé!)...
Ó! Que bom! Muito obrigado! E nós com aquele sorrisinho amarelo, a modos de quem está com dor de barriga, agora a parte mais dolorosa... quanto devemos? Minutos, talvez nem minutos mas segundos de angustia perante a cara gozadora do gerente que se abriu num sorriso e disse..."nada! Boa viagem!" O quê? Não podia ser, afinal vocês trocaram as peças com defeito, até o pneu foi substituído... ainda lavaram o carro...não dá para entender, o que é isso? (E eu rezando para que fosse mesmo isso!) Pois que era isso mesmo, respondeu o gerente, se vocês quiserem deixem um "matabicho" para os mecânicos que cuidaram do carro...e boa viagem! E foi o que fizemos antes que ele, gerente,se arrependesse, depois de muitos agradecimentos e promessas de amizade e reconhecimento eternos, que não sei se alguma vez foram cumpridas, lá nos pusemos a caminho devidamente saudados pelo "Ao Alto, Ao Alto! Charrua" e pelos PH! 6,6,6! berrados pelos nossos colegas que nos acenavam desejando melhor sorte para o final da viagem!
Assim, por volta das 15 horas estávamos saindo de Nova Lisboa com destino a Luanda, numa bela pista asfaltada, carro revisado, dinheirinho no bolso, logo logo passando por Chitatamera, (até hoje não sei de onde tiraram esse nome), o que não impediu que por associação sonora soltássemos a voz num caprichado... "Guantanamera/Guajira, one Guantanamera/One Guantanamera/Guajira, one Guantanamera/ Yo soy un hombre sincero/Guantanamera...) canção e música que estava muito em voga na época e que nos embalou em muitos bailaricos. Rápidamente passamos por Hunguéria (outro nome que não sei de onde veio), Alto Hama a caminho da Cela, onde pretendíamos parar para abastecer e comer alguma coisa no posto da Sacor e foi o que fizemos, calculando que por volta da meia-noite estaríamos já em Luanda!
Nada como um carro rodando seguro e vistoriado de borla pela Robert & Hudson, uma boa estrada com belas paisagens para apreciar e rápidamente deixamos a Quibala e o seu forte lá no alto da pedra á nossa direita mas que infelizmente não íamos poder visitar porque estávamos ansiosos para chegar a Luanda!
Deixamos o Lussusso para trás a caminho do Dondo mas, naquela descida que antecedia a reta que dava acesso ao Dondo a luzinha vermelha do painel acendeu avisando de que alguma coisa não estava em ordem no motor, enquanto que o ponteiro que indicava a temperatura galgava célere para o seu ponto máximo, não restando outra alternativa a não ser encostar na beira da estrada e ir verificar o que estava acontecendo, maldizendo como não lembramos de incluir uma lanterna na caixa das ferramentas, que também não existia, mas apesar da escuridão conseguimos ver que desta vez tinha sido a correia da ventoinha do motor que dera o berro, ressequida e quebrada! O que fazer? Só nos restava esperar para que alguém passasse e parasse para nos socorrer, o que não tardou muito e logo no lado oposto da pista encostou um camião, seguido de mais dois ou três, cujos motoristas se juntaram a nós, em reunião, lamentando não poder ajudar, já que as correias que eles tinham eram muito grandes e não serviam para o nosso carro, apesar que um deles, cheio de boa vontade, ia trançando uma trança com duas cordas para substituir a correia e assim nós poderíamos chegar até ao Dondo, artimanha essa que apesar da boa vontade não deu certo. Enquanto isso, mais e mais camiões iam parando à beira da estrada e aquele bom espirito comum de solidariedade dos camionistas ia-se revelando através da ajuda e das frases de animo que nos eram dirigidas, todos querendo ajudar mas ninguém resolvendo nada, não por falta de vontade mas pelas circunstâncias do momento, até que um deles sugeriu o que parecia ser o mais óbvio: "olhem estou indo para Luanda, um de vocês pega uma boleia comigo até ao Dondo, deixo-o ficar no posto, onde ele pode comprar uma correia e pega uma boleia de volta com algum companheiro que venha para estes lados!" Parecia ser o mais lógico até que um automóvel ligeiro parou mais na frente e dele saiu um sujeito que para nosso espanto foi logo dizendo:"Selminha! O que você está fazendo aqui?" Era um amigo da família do Rui Flora, que após se inteirar do que estava acontecendo logo se prontificou a continuar viagem, levando a Selma para casa, malandro, e sem pensar em nos ajudar! Deixa esses malucos aqui, ao que a Selma e o Flora se opuseram dizendo que iam continuar connosco, até que o referido senhor, após muita conversa, aceitou levar a Selma e o Flora até ao Dondo, ajudá-los a procurarem uma correia e trazê-los de volta e à correia também, para que pudéssemos colocá-la no lugar com a ajuda dos camionistas, já que sem caixa de ferramentas e sem as ditas cujas, apenas tínhamos os ferros desmonta e o macaco, não seria possível desaparafusar a polia e colocar a correia. E foi o que foi feito enquanto eu, o Fausto e os camionistas esperávamos e papeávamos junto do "Fusca" (até descobri que entre eles estava um amigo do meu saudoso padrinho o jornalista Albuquerque Cardoso e como prova sacou da carteira o cartão de visitas que o meu padrinho lhe havia dado).
Lógico que a nossa previsão de chegada a Luanda já era, porque o relógio marcava 23 horas e 30 minutos e nós de papo com os camionistas, sentados no asfalto da beira da estrada, esperando a Selma e o Flora que chegaram quase à meia noite, depois de terem saboreado uns cacussos na varanda do hotel, à beira Cuanza e para nós não trouxeram nem as espinhas!
Colocada a correia, operação meio complicada e com muitos e variados palpites, dados por todos porque tínhamos de acertar a posição e a ordem de colocação das anilhas que esticavam a correia, agradecemos e nos despedimos com muitos apertos de mão e abraços dos nossos mais recentes amigos e continuamos viagem, escoltados até ao Dondo pelo amigo dos Floras e daí para a frente depois de um aceno o sujeito pôs o pé na tábua e nunca mais o vimos!
E nós seguimos na escuridão da noite, passando por Zenza do Itombe, Calomboloca, nem paramos para comprar as docinhas laranjas e os saborosos maboques das quitandeiras que já não estavam mais à beira da estrada, dormindo o sono justo de quem não tinha TV para assistir e nem luz elétrica para prolongar o dia, Catete, dizem que aqui nasceu o Agostinho Neto, Viana, onde anos mais tarde o meu amigo Carvalho ex-Ecomar instalou uma fábrica de sapatos femininos e por fim Luanda, quando no dia seguinte, isto é, no mesmo dia, no fim da tarde entreguei o "Fusquinha" para o "Esgoia" e essa foi a ultima vez que me despedi e abracei o meu amigo e nosso colega que uma bala traiçoeira o levou deste mundo, durante uma emboscada!
O que nos ficou desta viagem foi a solidariedade, a vontade de ajudar que recebemos de pessoas que nem conhecíamos e que em troca não esperavam nada de nós a não ser um sorriso e um abraço agradecido por tantas gentilezas recebidas, um espirito bem português e típico de quem vivia em Angola, independente de raça, religião e posição social, transpondo as "Portas do Tchivinguiro" e abrindo corações para o resto de Angola!
Outros detalhes que eu não lembrei poderão ser fornecidos pelos nossos colegas Fausto Costa, que mora em Portugal e pelo Rui Flora e a sua irmã Selma, algures, talvez em Angola.
Aquele abraço!

9 Comentários.

Posted by Tchivinguiro WebServices:

Carlos Loureiro
Bem...claro que gostei do sabor e do cheiro dessa história, tão do agrado de quem conhece essas peripécias dos que, nesse tempo, andava pelas estradas de Angola, mas eu tenho que te fazer duas perguntas:
- qual a razão pela qual a reparação ao "Carocha" foi de borla?
- para que é que querias as espinhas dos cassussos..."me diz"!?
Abraço e conta mais "estórias" dessas.

José Avelino Dias
Boa, Antero Gonçalves! Continua a escrever aqui, meu amigo até que nos anuncies a publicação do "CAUSOS DO TCHIVINGUIRO". Espero ver-te em breve, Sete aí na tua Sampa.

Antonio Coelho da Cunha
Gostei da história, bem contada e gostosa. Como sempre a malta do Tchivinguiro foi correcta, bem disposta, amiga ,deixando um rasto de simpatia. Alias amigo Sete para os amigos, não esperava outra coisa de ti. Um abraço.

Júlio Salvador Duarte
Boa Antero gostei como os demais "causos" que aqui tens relatado. Porque não editas todos os "causos" e outros de que tenhas conhecimento ou que outros colegas saibam e queiram, em conjunto, fazê-lo. Era uma herança muito interessante. Abração.
07/6/2014 @ 12:47

Posted by Tchivinguiro WebServices:

Alvaro Manuel Pimentel Teixeira
Gostei de ler e recordar as localidades que vão de Nova Lisboa ao Dondo, vezes sem conta percorridas com o meu "fusca" arrefecido a ar. Na Escola do Tchivinguiro, quando ia a Moçâmedes passar o fim de semana, na serra da Leba ainda em construção, foram muitas as vezes que o meu velhinho volkswagem deixa para trás, encostados à berma, muitos carros muito mais recentes por serem arrefecido a água. Recordo-me que na descida quando chegava à base da serra, num riacho que havia sem ponte, parava o "carocha" no meio do riacho e esperava que a minha ex-mulher acabasse de o enxaguar, enquanto a curtia compenetrada no trabalho. De calções, poucas a podiam igualar em encanto.

Milu Vasconcelos
Confesso, que a memória que tens, de factos há tanto tempo passados,me continua a surpreender.É com toda a certeza rara ,essa capacidade .E apraz-me ter percebido e ter insistido ,que publicasses aqui.Assim todos nós podemos usufruir das tuas memórias ou das memórias de outros através de ti.O meu abraço.
07/6/2014 @ 12:50

Posted by Tchivinguiro WebServices:

Antero Gonçalves
Vamos lá agradecer a benevolência e a amizade que os amigos me dispensam, primeiro as damas, minha amiga e colega Milu Vasconcelos apesar de não te ter citado em nenhum "causo" tu estás presente em todos eles, porque foste tu que me incentivaste a contá-los e postá-los nesta nossa página de colegas e amigos. Um grande xi-coração para ti! Carlos Loureiro, respondendo à tua primeira pergunta, antes de ser conhecido o "jeitinho brasileiro", já existia o "Jeitinho e a simpatia Tchivinguirense" e além do mais reforçado com o sorriso e a beleza da nossa amiga Selma!, quanto à segunda, as espinhas dos cacussos eram para dar a um gato, tu sabes, daqueles de beira de estrada que sempre apareciam quando um carro avariava. Não acreditas? Feitios. Rss! Antonio Coelho da Cunha companheiro, amigo e colega desde os tempos saudosos da casa do poeta e amigo Manuel Rezende, na Senhora do Monte, desculpa as brincadeiras que faço contigo, mas é para manter acesa a chama da amizade e dos bons tempos, aquele abraço da "Boneca de Maceió"! Amigo e poeta como poucos, José Avelino Dias cá te espero nesta bela e carismática Sampa, tão amada e desejada, até por aqueles que dizem não gostar dela! Júlio Salvador Duarte amigo, colega do Tchivinguiro e companheiro do Kilombo - IIAA - Salazar, obrigado pela força! Ano que vem, quando eu aí for, vamos conversar sobre a publicação dos "causos" se eu ainda os conseguir reunir a todos. Continuo sendo o desligado de sempre! Alvaro Manuel Pimentel Teixeira, vocês eram tantos que já não sei qual dos "Pimenteis" foram os meus contemporâneos! Gostei do teu "causo", pena que não tenhas compartilhado uma foto! Para todos, aquele abraço e obrigado!

Carlos Loureiro
Acredito, pois, meu Caro Antero Gonçalves...
Que bem sabiam os cacussos que a "gente" devorava no Dondo...naquela rua interior paralela à estrada nacional, debaixo daquelas árvores velhas e cheias de "estórias" que muitos por aí terão deixado.
Abraço.
07/6/2014 @ 12:52

Posted by Júlio Rodrigues:

É emocionante ler esta crónica de tempos idos relacionada com avarias na estrada, solidariedade, vigente nesses tempos nomeadamente pelos camionistas da grande via Luanda - Sul. Desde q me conheço q estrada de terra batida primeiro de Caluquembe para o Lubango ou para Benguela ajudaram-me a conhecer essa solidariedade em tantas panes de estrada nos carros de meu pai e de outros. Q bom recordar tais tempos.
20/10/2014 @ 11:31

Posted by OBAT THORS HAMMER:

Posted by VIMAX:

goods
09/10/2016 @ 23:52

Posted by KLG PIL:

thanks
09/10/2016 @ 23:53

Posted by hammer of thor jogja:

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Obat Thor Hammer
18/11/2016 @ 7:27

Posted by perontok bulu permanen:

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Obat Perontok Bulu
08/12/2016 @ 6:29

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